A advogada Juliane Vieira, de 29 anos, deixou o hospital nesta semana depois de enfrentar quase três meses de internação por causa de queimaduras que atingiram 63% do corpo. Ela ficou ferida ao voltar a um apartamento tomado pelo fogo, localizado no 13º andar de um edifício residencial, na tentativa de resgatar a mãe, de 51 anos, e o primo, de apenas quatro.
Como ocorreu o incêndio no apartamento onde estava a advogada?
Em entrevista ao Fantástico, exibida no domingo (8/2), Juliane contou como tudo aconteceu no dia do incêndio, falou sobre o longo processo de tratamento e revelou quais serão as próximas etapas da recuperação. O incêndio aconteceu em 15 de outubro, em um apartamento no 13º andar, onde estavam Juliane, a mãe, Sueli, de 51 anos, e o primo Pietro, de quatro anos. As chamas começaram na cozinha e, em poucos instantes, tomaram outros cômodos, bloqueando a saída principal.
Ao perceber que o primo estava do outro lado do fogo, Juliane conseguiu alcançá-lo, pegou a criança no colo e tentou chegar à porta, mas a saída estava trancada. Diante do bloqueio, ela buscou uma alternativa pela janela, subiu no suporte do ar-condicionado e posicionou Pietro na janela do apartamento de baixo, pedindo que ele segurasse a rede de proteção até que alguém ajudasse. Veja imagens da entrevista no vídeo divulgado pelo Fantástico:
Quem participou do resgate da família durante o incêndio?
A moradora do andar inferior, Seliane, que havia saído de casa e retornou por acaso, encontrou o menino coberto de fuligem e fumaça. Do lado de fora do prédio, o técnico em refrigeração Lincoln de Oliveira e o pedreiro Tiago Gomes perceberam a situação e passaram a auxiliar no resgate, ajudando também a retirar Sueli do local em segurança.
Depois de retirar a mãe e o primo, Juliane tentou descer pelo suporte do ar-condicionado, mas não encontrou apoio suficiente. O sargento do Corpo de Bombeiros Ademar de Souza Migliorini conseguiu puxá-la de volta para dentro do apartamento, momento em que ambos foram atingidos pelas chamas e sofreram queimaduras graves.
Como foi o atendimento inicial e a internação da advogada?
Inicialmente atendida em Cascavel, Juliane foi transferida de helicóptero para o Hospital Universitário de Londrina, referência no tratamento de queimados no Paraná. Com 63% do corpo queimado, ela passou a maior parte dos três meses de internação na UTI, permanecendo mais de um mês em coma induzido.
O quadro foi considerado um dos mais complexos já atendidos pelo hospital, exigindo quase 20 cirurgias, incluindo enxertos, transplantes de pele e raspagens. A equipe envolveu mais de 100 profissionais em um centro especializado que conta com leitos exclusivos para queimaduras extensas.
Como é a recuperação e a reabilitação após queimaduras extensas?
Mesmo após a alta hospitalar, o tratamento de queimaduras graves continua intenso, com coceira constante, sensibilidade ao calor e necessidade de vários banhos diários para aliviar o desconforto. No caso de Juliane, a mãe auxilia nos cuidados de higiene e adaptação à nova rotina, enquanto a paciente retoma, aos poucos, atividades simples do dia a dia.
A reabilitação envolve fisioterapia diária para recuperar mobilidade e evitar limitações funcionais, além de acompanhamento psicológico para lidar com o trauma e as mudanças na imagem corporal. A expectativa é de que o retorno pleno ao trabalho e aos estudos leve pelo menos um ano, com possibilidade de novas cirurgias e ajustes no tratamento.
Quais os cuidados no tratamento de queimaduras graves?
O tratamento de grandes áreas queimadas exige uma combinação de procedimentos médicos e cuidados contínuos em ambiente hospitalar e domiciliar. Entre as medidas frequentes em casos semelhantes ao de Juliane, estão ações voltadas à cicatrização, prevenção de infecções e preservação da funcionalidade do corpo.
De forma geral, costumam ser adotados cuidados como:
- Internação prolongada em UTI para monitorar funções vitais e prevenir infecções;
- Cirurgias de enxerto e transplante de pele para cobrir áreas expostas e favorecer a cicatrização;
- Uso de curativos especiais, trocados com frequência para proteger a pele e reduzir o risco de contaminação;
- Fisioterapia precoce para evitar retrações de pele e manter articulações em movimento;
- Controle rigoroso da dor e da coceira, sintomas muito comuns em queimaduras profundas;
- Acompanhamento psicológico e suporte social para enfrentar o trauma e o impacto na vida cotidiana.