Integrantes de alto escalão do governo dos Estados Unidos (EUA) se preparam para uma missão ao Brasil em março, focada em minerais críticos e estratégicos, com o objetivo de destravar negociações, aprofundar parcerias e identificar projetos com potencial de financiamento em São Paulo.
Como será a missão dos EUA ao Brasil sobre minerais críticos?
A comitiva será formada por representantes do Departamento de Estado, do Departamento de Comércio, da U.S. International Development Finance Corporation (DFC) e da embaixada americana em Brasília, sinalizando interesse político direto de Washington na pauta de minerais críticos no Brasil.
As agendas começam em 16 de março, em São Paulo, com principal fórum no dia 18, quando empresas de mineração selecionadas devem apresentar projetos e ouvir diretrizes sobre critérios de apoio financeiro, ambientais, de governança e de conteúdo local.
Por que os minerais críticos interessam estrategicamente aos EUA?
A missão se insere em esforço de Washington para reduzir a dependência de minerais processados pela China, hoje dominante no refino de terras raras e na produção de ímãs permanentes, o que é visto como risco geopolítico severo.
Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que cerca de 91% do refino mundial de terras raras e aproximadamente 94% da produção de ímãs permanentes estão concentrados em empresas chinesas, afetando cadeias ligadas a semicondutores, veículos elétricos, defesa e inteligência artificial.
Qual é o papel do Brasil na cadeia global de minerais críticos?
O Brasil ganha relevância por reunir reservas expressivas de terras raras, grafite, níquel e outros minerais essenciais à transição energética e à alta tecnologia, oferecendo alternativa de diversificação de fornecedores para os Estados Unidos.
Entre os projetos em destaque está o projeto Caldeira, da australiana Meteoric Resources, um dos maiores depósitos de terras raras fora da China, já com carta de intenção de financiamento do Export-Import Bank dos EUA, além de iniciativas em grafite e níquel ligadas a baterias e ligas especiais.
Quais são os principais temas das negociações entre Brasil e EUA?
No centro das negociações estão não apenas extração, mas também processamento, agregação de valor local e segurança de suprimento de longo prazo, envolvendo aspectos financeiros, logísticos, socioambientais e regulatórios.
Esses temas se desdobram em pontos de atenção que orientam os fóruns técnicos e as reuniões bilaterais, influenciando como o Brasil pode se inserir nas novas cadeias globais da transição energética:
- Financiamento de projetos de mineração, processamento e industrialização local.
- Infraestrutura logística para escoamento interno e exportação eficiente.
- Padrões de sustentabilidade ambiental e social, incluindo respeito a comunidades locais e povos indígenas.
- Garantias de segurança de suprimento de longo prazo e contratos previsíveis.
- Transferência tecnológica e capacitação para fortalecer a indústria brasileira de alto valor agregado.
Como a parceria em minerais críticos impacta Brasil e Estados Unidos?
Para o Brasil, a aproximação com os Estados Unidos pode ampliar investimentos, incentivar pesquisa, fortalecer cadeias de processamento doméstico e consolidar o país como fornecedor relevante de minerais críticos com maior previsibilidade e padrões de governança.
Para Washington, a parceria com o Brasil oferece alternativa concreta a cadeias dominadas pela China, contribuindo para diversificação de fontes, redução de riscos geopolíticos e estabilidade para setores de defesa, energia limpa e alta tecnologia em um arranjo de cooperação de longo prazo.