A posse de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela chamou atenção além do cenário político. O foco de grande parte do debate público recaiu sobre o vestido escolhido para a cerimônia, descrito por internautas como incompatível com a realidade econômica do país, e o contraste entre o valor da peça e o salário mínimo venezuelano virou símbolo de distanciamento entre o governo e a população.
Qual foi o impacto político e simbólico da posse de Delcy Rodríguez?
Rodríguez assumiu o cargo perante a Assembleia Nacional na última segunda-feira (12/1), em sessão conduzida por seu irmão, Jorge Rodríguez. Em seu juramento, a nova presidente interina prometeu dedicar esforços à paz da república e ao bem-estar econômico e social do povo venezuelano, mas a repercussão visual do evento rapidamente ganhou força.
As imagens da cerimônia foram apropriadas nas redes sociais para questionar gastos, símbolos de poder e sinais enviados pela nova liderança. Em um país em crise prolongada, cada detalhe estético da posse passou a ser interpretado como mensagem política e indicador de proximidade, ou distanciamento, em relação à população.
Como era o vestido usado por Delcy Rodríguez na cerimônia de posse?
O vestido usado por Delcy Rodríguez era um modelo verde, justo, da marca italiana Chiara Boni La Petite Robe, com barra assimétrica, mangas compridas e punhos com babados. A presidente interina combinou a peça com sapatos nude e acessórios de safira, incluindo colar, brincos, pulseiras e anéis, compondo um visual associado à moda de luxo internacional.
Segundo o jornal espanhol El Español, o modelo não está disponível no site oficial da grife, mas pode ser encontrado em plataformas de luxo como a Farfetch. De acordo com esses levantamentos, o valor aproximado do vestido é de 742 a 746 dólares, o que o tornou o centro das discussões sobre ostentação no poder em meio à crise venezuelana. Veja a publicação:
✨ |#RevistaDL| Durante el acto de juramentación, Delcy Rodríguez acaparó miradas con un vestido verde menta de la firma italiana Chiara Boni La Petite Robe. Se trató de un diseño midi con volantes, combinado con stilettos nude de tacón bajo, el cabello suelto y un maquillaje… pic.twitter.com/GrAjxwIU3h
— Diario Libre (@DiarioLibre) January 8, 2026
Quanto custou o vestido e por que o preço gerou tanta polêmica?
O preço estimado da peça impulsionou a repercussão internacional e transformou o traje em tema central de debates sobre desigualdade. Em redes como X (antigo Twitter), a imagem da presidente interina com um vestido de alto custo passou a ilustrar críticas sobre prioridades governamentais e padrões de consumo da elite política.
Para organizar a discussão, algumas reportagens e usuários reuniram dados básicos sobre o valor do vestido e o contraste com a renda mínima no país:
- Preço estimado do vestido: entre 742 e 746 dólares.
- Salário mínimo citado: 130 bolívares (cerca de 0,42 dólar).
- Contexto econômico: altos índices de pobreza e renda muito baixa.
Como surgiu a conta de 147 anos de salário mínimo?
A principal crítica viral foi o cálculo que relaciona o preço do vestido ao salário mínimo na Venezuela. Um usuário publicou que o vestido custaria cerca de 742 dólares, enquanto o salário mínimo seria de 130 bolívares, equivalentes a aproximadamente 0,42 dólar, e a partir daí dividiu 742 por 0,42, chegando a cerca de 1.767 meses de trabalho.
Essa comparação foi traduzida como “147 anos de salário mínimo” para comprar o mesmo vestido, supondo que não houvesse outros gastos básicos. Embora simplificado e sujeito a variações cambiais, o cálculo se consolidou como slogan informal nas críticas, funcionando mais como ilustração do abismo de renda do que como dado econômico preciso.
Como o vestido influenciou o debate sobre imagem pública e desigualdade?
A expressão “147 anos de salário mínimo” passou a sintetizar argumentos sobre desconexão entre governo e população. Comentários no X destacaram o contraste entre o luxo do figurino e a escassez enfrentada por muitos cidadãos, mencionando dificuldades até para adquirir itens básicos, como papel higiênico e alimentos essenciais.
Em um cenário de crise profunda, a combinação entre um discurso de bem-estar social e o uso de uma peça de luxo reforçou questionamentos sobre sensibilidade ao contexto. O vestido deixou de ser apenas detalhe de vestuário e passou a integrar o debate mais amplo sobre símbolos de poder, comunicação política e a coerência entre a imagem dos líderes venezuelanos e a realidade do país que governam.