O telefonema entre Donald Trump e Gustavo Petro marcou uma mudança de tom em uma relação recente marcada por acusações públicas, tensão diplomática e sanções. Depois de meses de críticas mútuas, o presidente dos Estados Unidos confirmou que conversou com o chefe de Estado colombiano e indicou que um encontro presencial deve acontecer em breve, em Washington, em meio à disputa política regional e à forte pressão norte-americana sobre o governo colombiano.
Como foi a conversa de Trump com Petro?
Na rede Truth Social, Trump declarou ter sido uma “grande honra” falar com Petro, ressaltando que a ligação foi iniciativa do presidente colombiano. Segundo o republicano, o telefonema tratou da situação do narcotráfico, tema central nas recentes divergências entre os dois países, além de outras discordâncias políticas sensíveis.
O conteúdo detalhado da conversa não foi divulgado, mas o anúncio de uma reunião em preparação indica tentativa de reorganizar a interlocução entre Washington e Bogotá. Trump informou ainda que Marco Rubio, atual secretário de Estado, foi encarregado de iniciar os preparativos para um encontro bilateral na Casa Branca, com participação do chanceler colombiano.
Por que a relação entre Trump e Petro se tornou tão tensa?
A confirmação da ligação ocorre após um período de forte escalada verbal entre os dois líderes. Trump vinha acusando Gustavo Petro de envolvimento direto com o narcotráfico, afirmando que o presidente colombiano “está produzindo cocaína e depois enviando para os EUA”, o que gerou reações oficiais em Bogotá.
As declarações se intensificaram após a captura de Nicolás Maduro, ex-líder venezuelano, episódio que elevou a temperatura política na região. Em resposta, Petro rejeitou todas as acusações, convocou manifestações em seu país e pediu que a população “tome o poder” caso a Colômbia seja alvo de um ataque externo, aprofundando o clima de desconfiança mútua.
Como sanções e pressão política afetam a relação bilateral?
A tensão entre Washington e Bogotá também se manifesta no campo econômico e jurídico. Em outubro de 2025, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicou sanções contra Gustavo Petro, sua esposa e seu filho, restringindo o acesso do núcleo familiar ao sistema financeiro americano e a ativos sob jurisdição dos EUA.
Um mês antes, em setembro, o Departamento de Estado havia revogado o passaporte do presidente colombiano, medida que aprofundou o isolamento oficial. O governo Trump apresenta essas ações como instrumentos de pressão ligados ao combate às drogas, enquanto Petro as classifica como interferência política na soberania colombiana e na sua imagem internacional.
Quais temas devem dominar o encontro entre Trump e Petro?
A reunião prevista para a Casa Branca, caso se confirme, tende a se concentrar em dossiês sensíveis para ambos os países. Especialistas apontam que segurança, diplomacia e política interna se cruzam nesse diálogo, com impacto direto na cooperação regional e na estratégia americana para a América do Sul.
Nesse contexto, alguns assuntos aparecem como prioritários na agenda bilateral e ajudam a explicar o peso político desse encontro em Washington:
- Narcotráfico: possível redefinição de metas e métodos de combate às drogas na região andina;
- Sanções: discussão sobre revisão, manutenção ou eventual ampliação das medidas contra Petro e familiares;
- Cooperação em segurança: debate sobre apoio militar, compartilhamento de inteligência e operações conjuntas;
- Clima político regional: efeitos da captura de Nicolás Maduro e reconfiguração de alianças na América do Sul.