Donald Trump voltou a tratar publicamente da permanência de Jerome Powell no comando do Federal Reserve (Fed), em meio à tensão entre a Casa Branca e o banco central dos Estados Unidos. Em entrevista à agência Reuters na quarta-feira (14/1), o presidente declarou que não tem planos de demitir o chefe do Fed, mesmo com a investigação em curso do Departamento de Justiça sobre a reforma da sede da instituição em Washington, o que reacende o debate sobre a independência da autoridade monetária e os limites da influência política sobre as decisões de juros.
Como Trump avalia a possível demissão de Powell neste momento?
Questionado se pretendia afastar Powell do cargo, Trump respondeu que “não tem nenhum plano” nesse sentido, mas deixou claro que o cenário ainda pode evoluir. Para ele, é “cedo demais” para dizer qual será a decisão final, mencionando que o governo está em um “compasso de espera” em relação ao chefe do banco central.
Essa postura mantém Powell sob observação política ao mesmo tempo em que o Fed lida com uma investigação milionária ligada à modernização de seus prédios históricos. O contexto também alimenta a percepção de incerteza entre investidores sobre a estabilidade institucional e o rumo da política monetária.
O que envolve a investigação sobre a reforma da sede do Fed?
A investigação do Departamento de Justiça concentra-se em um projeto de reforma estimado em US$ 2,5 bilhões no complexo da sede do Federal Reserve em Washington. O caso examina não apenas a execução das obras, mas também o testemunho de Jerome Powell ao Congresso sobre os custos, os contratos e o planejamento do projeto.
Segundo o próprio Powell, o Fed recebeu intimações para entregar documentos e informações relativos à modernização dos prédios históricos. Ele argumenta que o inquérito funciona como pretexto para uma campanha mais ampla de pressão sobre as taxas de juros, intensificando o confronto entre o governo Trump e o banco central.
Quais são os limites legais para a demissão do presidente do Fed?
A frase “Trump diz que não tem planos de demitir presidente do Fed” ganha peso quando confrontada com as restrições legais para a destituição de integrantes do Federal Reserve. Pela lei federal norte-americana, governadores do Fed só podem ser afastados por justa causa, e não por simples divergências de política monetária ou críticas públicas às decisões sobre juros.
Mesmo assim, Trump sinalizou que avalia se a investigação poderia fornecer elementos formais para uma substituição antecipada. Ao mesmo tempo, o presidente indica que pretende avançar com a escolha de um sucessor “nas próximas semanas”, criando uma zona de incerteza em que Powell permanece no cargo, mas sob forte monitoramento do Executivo e escrutínio do Congresso.
Como a independência do Fed é pressionada pela política?
O debate sobre a independência do Federal Reserve ganhou força após críticas de parlamentares republicanos à investigação do Departamento de Justiça. Alguns deles manifestaram preocupação de que o processo pudesse ser usado para influenciar futuras decisões sobre a taxa de juros, enquanto Trump minimizou as queixas e afirmou que os congressistas “deveriam ser leais”.
Para entender o cenário político em torno do Fed, é importante observar os principais movimentos de Casa Branca e Congresso, bem como os potenciais sucessores de Powell citados por Trump:
- Trump testa nomes para o comando do Fed em um cenário pós-Powell, incluindo Kevin Hassett, principal assessor econômico da Casa Branca, e Kevin Warsh, ex-diretor do banco central, ambos elogiados como “muito bons”.
- O senador republicano Thom Tillis, da Carolina do Norte, que integra o Comitê Bancário do Senado, ameaçou bloquear futuras indicações para o Fed até a conclusão da investigação sobre a reforma da sede.
- A eventual indicação de um sucessor mais alinhado à visão de política econômica do governo pode elevar dúvidas sobre o grau de autonomia futura do Fed nas decisões de juros e regulação financeira.
Quais são os impactos para investidores?
O cenário atual é de tensão controlada: Trump declara que não pretende demitir Powell agora, mas não descarta mudanças, enquanto o presidente do Fed defende a autonomia da instituição e vê a investigação como parte de uma pressão ligada à condução dos juros. Esse clima afeta a leitura de risco político em torno do banco central.
Para investidores, analistas e agentes econômicos, o desenrolar da relação entre Casa Branca, Congresso, Departamento de Justiça e Federal Reserve pode influenciar expectativas sobre trajetória de juros, ambiente regulatório e estabilidade institucional nos Estados Unidos nos próximos meses.