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Trump afirma que Conselho de Paz pode substituir a ONU e reacende debate global

Por Junior Melo
21/jan/2026
Em Política
Trump afirma que Conselho de Paz pode substituir a ONU e reacende debate global

Trump - Créditos: depositphotos.com / gints.ivuskans

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O debate sobre o futuro da diplomacia internacional ganhou um novo capítulo após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que seu recém-criado Conselho de Paz poderia, no longo prazo, substituir a Organização das Nações Unidas; a fala, feita nesta terça-feira (20/1), em Washington, durante coletiva de imprensa que marcou um ano desde seu retorno à Casa Branca, reacendeu discussões sobre o papel da ONU e os limites de iniciativas paralelas de mediação de conflitos.

Como Trump apresenta o Conselho de Paz e critica a ONU?

Trump apresentou o Conselho de Paz como uma alternativa mais ágil para resolver guerras específicas, sobretudo no Oriente Médio, afirmando que o novo órgão teria sido decisivo para encerrar a guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza. Ele reiterou críticas ao sistema multilateral tradicional, alegando que a ONU seria lenta, burocrática e pouco efetiva na prevenção e mediação de conflitos armados em diversas regiões.

Na coletiva, Donald Trump declarou que a ONU não estaria cumprindo seu potencial, embora reconheça sua importância teórica. Segundo ele, jamais cogitou recorrer à organização para as negociações que, em sua versão, levaram ao fim de conflitos recentes, apresentando o Conselho de Paz como resposta prática à “ineficiência” da entidade sediada em Nova York.

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O que é o Conselho de Paz de Trump e qual seu alcance real?

O Conselho de Paz de Trump foi instituído como parte do acordo liderado por Washington para encerrar a guerra entre Israel e Hamas em Gaza, reunindo um painel de líderes internacionais voltados à mediação, construção de cessar-fogos e negociações políticas. Especialistas apontam que também se trata de um movimento político para reposicionar os Estados Unidos como principal articulador de acordos de paz, em meio à disputa de influência com outras potências globais.

Neste momento, o conselho funciona como um painel informal de líderes, sem tratado constitutivo aprovado por Estados-membros, sem secretariado permanente robusto e sem base jurídica comparável à Carta das Nações Unidas, em vigor desde 1945. Assim, seu escopo permanece limitado e dependente da vontade política dos participantes, sem mecanismos próprios de execução ou fiscalização.

Como o Conselho de Paz pode substituir a ONU?

A declaração de que o Conselho de Paz poderia “substituir” a ONU gerou repercussão imediata em diversas capitais. As Nações Unidas, com 193 Estados-membros, Assembleia Geral, Conselho de Segurança e dezenas de agências especializadas, mantêm papel central em temas que vão além da paz e segurança, abrangendo direitos humanos, desenvolvimento sustentável, crises humanitárias e mudanças climáticas.

O Conselho de Segurança da ONU segue como principal instância formal com mandato para autorizar sanções e uso da força em nome da comunidade internacional, algo que um órgão criado por um único país não consegue replicar juridicamente. Assim, a discussão se desloca da ideia de substituição para a possibilidade de coexistência ou competição entre formatos distintos de diplomacia e negociação de paz.

Como a comunidade internacional reage ao Conselho de Paz?

Para compor o novo conselho, Trump enviou convites a diversos líderes, entre eles o presidente da Rússia, Vladimir Putin, gesto visto como tentativa de reaproximação pragmática em áreas específicas. A recepção global, porém, tem sido mista: alguns governos analisam a iniciativa como complemento prático, enquanto outros temem que ela possa minar instâncias multilaterais já existentes, como ONU e União Europeia.

O presidente francês Emmanuel Macron declarou que não aceitará integrar o Conselho de Paz, citando dúvidas sobre escopo, governança e equilíbrio político. Do lado da ONU, o principal responsável humanitário, Tom Fletcher, afirmou à CNN que o órgão “não substituirá” a organização e que a entidade “não vai a lugar nenhum”, reforçando a ideia de que se trata de iniciativa paralela, sem legitimidade universal consolidada.

  • Alguns países veem o conselho como espaço flexível para negociações rápidas em crises específicas.
  • Outros temem fragmentação da governança global e enfraquecimento de normas multilaterais.
  • A adesão de novos membros dependerá da eficácia prática do conselho em casos futuros.
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