O incêndio que atingiu um prédio ocupado por famílias em situação de rua na Vila Prudente, Zona Leste de São Paulo, na manhã desta segunda-feira (12/1), terminou com a morte de um bebê de dois meses e de um homem de 35 anos com deficiência intelectual, reacendendo o debate sobre segurança em imóveis ocupados, condições de moradia precária e a vulnerabilidade de quem vive em prédios abandonados adaptados de forma improvisada.
Como o incêndio começou no prédio ocupado na Vila Prudente?
O fogo começou por volta das 5h em um dos apartamentos do último andar do edifício localizado na Avenida Vila Ema. A fumaça se espalhou rapidamente pelos três andares e pela laje, onde também existiam barracos improvisados, dificultando a fuga dos moradores.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu controlar as chamas, mas não evitou as duas mortes, registradas em meio ao rescaldo da ocorrência. O prédio era ocupado por um grupo de pessoas sem teto há cerca de dez anos, em um imóvel antigo que já abrigou a tradicional Padaria Amália, hoje desativada. Veja imagens do local no vídeo divulgado pela Band:
Um bebê e um homem morreram durante um incêndio em um prédio ocupado na Vila Prudente, Zona Leste de São Paulo, na madrugada desta segunda-feira (12). #BandJornalismo #BoraBrasil pic.twitter.com/tJMPMjS3Tl
— Band Jornalismo (@BandJornalismo) January 12, 2026
Quem são as vítimas e como o incêndio foi identificado?
Durante o trabalho de rescaldo, as equipes localizaram dois corpos carbonizados em uma das unidades do último andar. As vítimas são um bebê de dois meses e um homem de 35 anos com deficiência intelectual, cuja identificação oficial depende de exames da Polícia Técnico-Científica.
O mesmo terreno abriga também uma cooperativa de reciclagem, usada por trabalhadores da região. A perícia deverá analisar as possíveis causas do fogo, como curto-circuito, uso de aparelhos que gerem calor ou problemas em instalações de gás, além do caminho percorrido pelas chamas e pela fumaça.
Como foram os momentos do incêndio segundo relato dos moradores?
Um dos moradores, identificado como Marcelo, relatou que o homem que morreu seria seu irmão, chamado Rafael. Segundo ele, ao perceber o incêndio, gritou para o irmão sair do quarto enquanto tentava conter as chamas que avançavam na direção do bebê.
Marcelo sofreu queimaduras na perna ao tentar controlar o fogo próximo ao berço, mas não conseguiu impedir a morte da criança. Moradores da região mencionaram que o imóvel tinha grande circulação de pessoas, o que é comum em ocupações com várias famílias dividindo o mesmo espaço e poucos recursos de proteção.
Quais são os riscos de incêndio em ocupações e moradias precárias?
O caso da Vila Prudente expõe um cenário recorrente em grandes cidades, com ocupações em prédios antigos ou abandonados, sem projeto elétrico adequado, rotas formais de fuga ou manutenção regular. Instalações improvisadas, ligações irregulares e adaptações internas elevam o risco de curto-circuitos e incêndios.
Mesmo em ambientes precários, algumas medidas simples podem reduzir parte dos riscos e orientar os moradores sobre prevenção básica e resposta inicial em caso de fogo. Entre essas medidas, especialistas em segurança destacam:
- Evitar sobrecarga de tomadas e o uso de “benjamins” em série;
- Manter botijões de gás em área ventilada e afastados de fontes de calor;
- Organizar rotas de saída, ainda que improvisadas, conhecidas por todos;
- Manter entradas e corredores desobstruídos para acesso de equipes de emergência;
- Promover orientações entre moradores sobre o que fazer em caso de princípio de incêndio.
Quais os próximos passos nas investigações?
A Polícia Técnico-Científica deve produzir um laudo sobre a origem do incêndio no prédio ocupado na Vila Prudente, analisando hipóteses como curto-circuito, vazamentos de gás e falhas em equipamentos. O resultado da perícia poderá orientar eventuais procedimentos criminais, administrativos e civis.
Órgãos municipais e estaduais devem avaliar as condições estruturais do imóvel, o histórico de abandono e o contexto de vulnerabilidade das famílias. Em situações semelhantes, costuma-se discutir a interdição do prédio, a remoção dos moradores, o cadastro em programas de assistência social e o encaminhamento emergencial para abrigos ou moradias temporárias.