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Início Justiça

Trabalhar alcoolizado dá justa causa? Entenda o que a CLT diz sobre a situação

Por Junior Melo
01/jan/2026
Em Justiça
Trabalhar alcoolizado dá justa causa? Entenda o que a CLT diz sobre a situação

Carteira de Trabalho - Créditos: depositphotos.com / julioricco

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O início de um novo ano costuma ser marcado por festas, encontros e consumo de bebidas alcoólicas, mas, para parte dos trabalhadores que precisam se apresentar ao serviço logo no dia 1º de janeiro, surge uma dúvida recorrente: quais são as consequências de chegar alcoolizado na empresa à luz da legislação trabalhista brasileira?

O que diz a CLT sobre o trabalhador alcoolizado?

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) trata de forma objetiva a presença de álcool no ambiente profissional. O Artigo 482 lista as faltas graves que podem levar à demissão por justa causa, incluindo, na alínea “f”, a “embriaguez habitual ou em serviço”, que pode comprometer a relação de emprego.

A embriaguez em serviço ocorre quando o trabalhador se apresenta ou permanece no local de trabalho sob efeito de álcool, gerando risco ou queda de produtividade. Já a embriaguez habitual está ligada a um padrão recorrente de consumo, mesmo fora da empresa, mas que interfere na assiduidade, no desempenho profissional ou na qualidade das entregas.

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Quais situações podem levar à demissão por justa causa?

O estado de embriaguez no ambiente profissional pode resultar em demissão por justa causa, sem necessidade de advertências prévias, desde que haja comprovação e risco ou prejuízo efetivo às atividades da empresa. A análise considera o grau de comprometimento do trabalhador, a função exercida e a repercussão do fato.

Na prática, a avaliação costuma levar em conta elementos que demonstram como o episódio afetou o trabalho e a segurança, bem como o histórico do empregado e as normas internas da organização. Entre os principais fatores considerados, destacam-se:

  • Tipo de função exercida, como operação de máquinas, direção de veículos ou atendimento ao público;
  • Histórico de conduta do trabalhador e ocorrência de casos anteriores de embriaguez;
  • Impacto do episódio na segurança, na imagem da empresa e na continuidade das atividades;
  • Regras internas, normas de saúde e segurança e eventuais políticas de tolerância zero ao álcool.

Quais direitos o trabalhador perde em caso de justa causa?

A demissão por justa causa reduz significativamente as verbas rescisórias, pois é entendida como consequência de falta grave. Em casos de embriaguez em serviço ou embriaguez habitual, o empregado mantém apenas direitos básicos, como saldo de salário e férias vencidas, perdendo vantagens ligadas ao término regular do vínculo.

Entre as principais perdas, destacam-se: ausência de aviso prévio indenizado, impossibilidade de saque imediato do FGTS, não pagamento da multa de 40% sobre o fundo e perda do direito ao seguro-desemprego. Além disso, o registro interno de uma dispensa por justa causa pode afetar a imagem profissional e referências futuras no mercado.

Como prevenir problemas relacionados ao álcool no trabalho?

Apesar de a CLT tratar a embriaguez em termos de punição, a prevenção é fundamental para reduzir conflitos e riscos. Muitas empresas adotam políticas internas claras sobre o consumo de bebidas alcoólicas, reforçando orientações em épocas de festas, confraternizações e períodos de revezamento de plantões.

Boas práticas incluem estabelecer regras formais sobre apresentação ao trabalho sob efeito de álcool, promover campanhas de conscientização e oferecer apoio a empregados com dependência. Do ponto de vista do trabalhador, conhecer a CLT e os regulamentos internos ajuda a evitar condutas de risco e a preservar o emprego.

FAQ sobre embriaguez e relação de trabalho

  • Posso ser mandado embora por justa causa se beber na hora do almoço? Depende. Se o consumo de álcool na pausa gerar embriaguez perceptível e prejudicar o retorno ao trabalho, a situação pode ser enquadrada como embriaguez em serviço.
  • A empresa pode exigir teste de bafômetro? Algumas empresas adotam testes em atividades de risco, desde que haja previsão em normas internas ou acordos coletivos, com respeito à dignidade e privacidade do trabalhador.
  • Embriaguez por remédio pode gerar justa causa? Em geral, quando há uso de medicamentos prescritos e comunicação prévia ao empregador, a situação é tratada de forma distinta da ingestão voluntária de álcool para fins recreativos.
  • Quem tem alcoolismo é sempre demitido por justa causa? Nem sempre. Em muitos casos, o alcoolismo é reconhecido como doença, e empresas podem adotar medidas de apoio, afastamento para tratamento e acompanhamento médico antes de recorrer a sanções mais severas.
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