Uma condenação recente serve de alerta máximo para gestores e alívio para trabalhadores: a justiça decidiu que divulgar punições em grupos ou murais gera indenização pesada. O caso reforça que a humilhação pública não faz parte do contrato de trabalho.
Por que a justiça considerou a atitude da empresa abusiva?
O tribunal entendeu que publicar a advertência disciplinar na rede interna expôs o trabalhador a um constrangimento desnecessário perante os colegas. A autoridade do chefe não dá o direito de ferir a dignidade ou manchar a imagem do profissional.
A decisão deixa claro que a gestão deve focar na orientação e correção de falhas de forma privada, sem transformar o erro em espetáculo. O vexame público foi o fator determinante para o valor alto da indenização.
Quais são os limites reais da privacidade no trabalho?
A lei garante que correções e penalidades devem ocorrer sempre a portas fechadas para preservar o sigilo profissional. Expor falhas publicamente configura dano moral, pois ataca a reputação do indivíduo no ambiente onde ele ganha a vida.
Mesmo dentro da empresa, os direitos fundamentais como a intimidade e a honra continuam valendo. Qualquer ação que vise diminuir o funcionário diante do grupo é ilegal e passível de processo.
Qual é a forma correta de aplicar uma advertência?
O empregador tem o direito de punir, mas deve exercer esse poder disciplinar com discrição, ética e respeito. O objetivo da sanção é educativo, servindo para ajustar a rota, e nunca como ferramenta de vingança ou escárnio coletivo.
Veja abaixo os principais erros de gestão que transformam uma correção legítima em um processo trabalhista caro.
- Publicidade do erro: Divulgar nomes em murais, grupos de WhatsApp ou intranet associados a falhas.
- Feedback exposto: Dar broncas pesadas ou aplicar penalidades na frente de outros colaboradores.
- Rankings negativos: Criar listas que ridicularizam os piores desempenhos da equipe.
Como agir caso você sofra esse tipo de exposição?
A vítima de constrangimento deve reunir evidências que comprovem o abuso, como prints de telas, e-mails ou relatos de testemunhas. O assédio moral, seja ele sistemático ou um episódio grave de humilhação, deve ser combatido.
Manter a calma e documentar os fatos é o passo essencial para buscar reparação na Justiça do Trabalho. A proteção da dignidade humana prevalece sobre qualquer hierarquia empresarial.
Como proteger a minha imagem e garantir meus direitos?
Entenda que o ambiente corporativo deve ser um local seguro e que abusos de autoridade não devem ser normalizados sob a desculpa de “gestão exigente”.
- Salve provas materiais imediatamente caso sua imagem seja exposta de forma indevida na empresa.
- Procure o setor de RH ou canais de denúncia anônima antes de partir para a esfera judicial.
- Informe-se sobre seus direitos para impor limites saudáveis na relação profissional.
Leia também: Novo golpe usa o nome do TRT-2, Justiça do Trabalho e de advogados para enganar os brasileiros