O recente surto de intoxicação por metanol registrado em Ribeira do Pombal, no interior da Bahia, reacendeu a atenção para os riscos das bebidas alcoólicas adulteradas no Brasil e levou autoridades sanitárias a reforçar orientações à população sobre o consumo responsável e seguro, com atuação intensificada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de órgãos estaduais e federais para monitorar a possível circulação de produtos contaminados.
Entre as sete pessoas atendidas após o evento, uma já deixou o hospital, enquanto as demais seguem sob observação médica. Parte das vítimas foi transferida para unidades de referência em toxicologia, em Salvador, devido à gravidade do quadro clínico. A situação chamou a atenção não apenas pela quantidade de pessoas afetadas em um curto espaço de tempo, mas também pela forma como as bebidas foram adquiridas e consumidas, levantando dúvidas sobre sua origem e regularização.
O que é intoxicação por metanol e por que ela é tão perigosa?
A intoxicação por metanol ocorre quando uma pessoa ingere, inala ou entra em contato com esse álcool industrial, diferente do etanol presente nas bebidas alcoólicas comuns. O metanol é usado em solventes, combustíveis e anticongelantes e não é adequado para consumo humano, pois é transformado em substâncias altamente tóxicas pelo organismo.
Esses metabólitos podem provocar danos graves ao sistema nervoso central, aos rins e, principalmente, à visão, com risco de cegueira irreversível. A evolução depende da dose ingerida e da rapidez do atendimento médico, sendo que atrasos no tratamento aumentam significativamente a chance de sequelas permanentes e de morte.
Quais são os principais sintomas da intoxicação por metanol?
Os sintomas costumam surgir algumas horas após a ingestão, podendo haver um período inicial sem sinais aparentes. Em seguida, podem aparecer dor de cabeça intensa, tontura, náusea, vômito, fraqueza, dificuldade para enxergar e respiração acelerada, o que muitas vezes é confundido com embriaguez comum.
Nos casos mais graves, podem ocorrer acidose metabólica, convulsões, rebaixamento do nível de consciência e coma, exigindo internação imediata. Qualquer suspeita relacionada ao consumo de bebida adulterada deve motivar busca urgente por atendimento, pois o uso precoce de antídotos específicos pode evitar sequelas, como perda parcial ou total da visão.
Como identificar bebidas adulteradas e reduzir o risco de intoxicação?
Especialistas em vigilância sanitária destacam que a principal forma de prevenção é escolher com cuidado o que será consumido, priorizando produtos de origem conhecida. A verificação da procedência da bebida alcoólica é essencial para reduzir o contato com produtos clandestinos, especialmente os vendidos a granel, sem garrafa original ou rótulo.
Algumas recomendações frequentemente adotadas por órgãos reguladores ajudam na identificação de possíveis irregularidades e devem ser observadas pelos consumidores em compras e eventos sociais:
- Evitar bebidas comercializadas sem rótulo, sem lacre de segurança ou sem selo fiscal oficial;
- Desconfiar de preços muito abaixo da média de mercado para a mesma categoria de produto;
- Observar se o rótulo apresenta nome e CNPJ do fabricante, lista de ingredientes e número de registro;
- Comprar apenas em estabelecimentos conhecidos, que emitam nota fiscal e sejam fiscalizados;
- Prestar atenção à aparência da bebida, como cor, transparência e presença de partículas estranhas;
- Ter cautela com bebidas “caseiras” ou artesanais sem comprovação de regularização sanitária.
Que cuidados adotar ao consumir bebidas em bares, festas e eventos?
Em bares, festas e eventos, é importante observar como as bebidas são armazenadas, manipuladas e servidas, dando preferência a locais com boa reputação. Sempre que possível, vale acompanhar o preparo dos drinks e desconfiar de misturas servidas em recipientes improvisados ou sem identificação clara.
Também pode ser útil solicitar que a garrafa seja mostrada antes do preparo e verificar se o lacre de segurança está íntegro. Esses cuidados não eliminam totalmente o risco, mas reduzem a chance de exposição a misturas desconhecidas ou líquidos reengarrafados, que podem conter metanol ou outras substâncias tóxicas.
O que fazer em caso de suspeita de intoxicação por metanol?
Quando houver suspeita de envenenamento por metanol após o consumo de bebida alcoólica, a orientação técnica é buscar atendimento médico imediato, mesmo com sintomas leves ou inespecíficos. A rapidez na avaliação pode fazer diferença no resultado, pois existem antídotos específicos, como etanol ou fomepizol, e protocolos bem definidos para esse tipo de intoxicação.
Além da procura urgente por socorro médico, os serviços de saúde costumam acionar as vigilâncias sanitárias municipais e estaduais para investigar a origem da bebida ingerida. Sempre que possível, recomenda-se guardar a embalagem suspeita e informar o local de compra, o que facilita o rastreamento de outros consumidores expostos e a retirada de eventuais lotes contaminados do mercado.
Como a fiscalização e a informação ajudam a prevenir novos casos?
O episódio na Bahia ilustra como situações de comemoração podem ser impactadas pela presença de bebidas adulteradas em circulação e mostra a importância da atuação coordenada entre vigilância sanitária, saúde pública e segurança alimentar. A combinação de fiscalização ativa, monitoramento laboratorial e punição aos responsáveis reduz a oferta de produtos ilegais.
A orientação clara à população e a atenção aos sinais do próprio organismo são estratégias centrais para diminuir novos casos de intoxicação por metanol no país. O hábito de checar a origem do que é servido em festas e estabelecimentos, aliado à busca imediata por ajuda diante de qualquer suspeita, contribui diretamente para a proteção da saúde coletiva.
