O Conselho de Segurança da ONU foi convocado para uma reunião de emergência nesta segunda-feira (12/1) para tratar da escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia, após um ataque russo contra Kiev com o sistema de mísseis balísticos Oreshnik, arma de alcance intermediário e capacidade nuclear, que reacendeu discussões sobre segurança europeia, uso de armamentos de última geração e limites das ações militares em áreas densamente povoadas.
O que está em jogo na reunião de emergência da ONU?
A sessão foi motivada por uma carta do embaixador ucraniano Andriy Melnyk, que acusa a Rússia de atingir um novo patamar de crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O documento enfatiza o impacto dos ataques sobre civis e infraestrutura crítica, especialmente ligada ao sistema de energia e ao setor industrial.
Os membros do Conselho de Segurança devem ouvir relatos sobre a ofensiva, a natureza dos alvos e o uso do sistema Oreshnik, com foco no risco de escalada regional e na ameaça à segurança europeia. A Ucrânia pretende usar o encontro para reforçar pedidos de novas sanções, mais armamentos defensivos e apoio a investigações internacionais.
O que é o míssil Oreshnik e por que ele preocupa?
O míssil Oreshnik é um sistema balístico de alcance intermediário (IRBM), capaz de atingir alvos em até cerca de 5.500 quilômetros, cobrindo grande parte da Europa a partir de território russo ou de Belarus. Segundo analistas, ele pode atingir velocidades próximas a 13 mil quilômetros por hora, atingindo regime hipersônico e aumentando a dificuldade de interceptação.
Em serviço ativo desde o fim de 2025, o Oreshnik é apontado como um dos mísseis mais complexos de neutralizar, combinando alta velocidade, manobrabilidade e potencial de múltiplas ogivas. Sua capacidade de operar com ogivas convencionais, nucleares e em configuração MIRV eleva a preocupação estratégica, mesmo sem indícios de uso nuclear no ataque recente à Ucrânia.
- Alcance estimado: até 5.500 km (categoria IRBM)
- Velocidade: potencial de até 13.000 km/h, em regime hipersônico
- Capacidade de ogivas: convencionais, nucleares e MIRV (6 a 8 ogivas)
- Primeiro uso conhecido: disparo experimental em Dnipro, em novembro de 2024
Como Rússia e Ucrânia justificam suas ações no conflito?
O governo russo vincula o ataque com Oreshnik à suposta tentativa ucraniana de atingir a residência oficial de Vladimir Putin, na região de Novgorod, em dezembro de 2025, com o uso de dezenas de drones de longo alcance. Moscou apresenta essa narrativa como justificativa para uma operação voltada à infraestrutura energética e a instalações ligadas ao complexo militar-industrial ucraniano.
A Ucrânia rejeita integralmente essa versão, e o presidente Volodymyr Zelensky classifica as alegações como mentiras destinadas a minar avanços em negociações de paz com os Estados Unidos. Kiev afirma que a Rússia tenta preparar a opinião pública para futuras ações contra prédios governamentais e usa o episódio para ampliar pressão por sanções e reforço de defesa aérea.
Por que o ataque com Oreshnik aumenta a preocupação na Europa?
Para o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, o uso do Oreshnik próximo à fronteira da União Europeia e da OTAN representa uma grave ameaça à segurança regional. A combinação de alcance intermediário, capacidade nuclear e dificuldade de interceptação expõe vulnerabilidades de cidades, bases militares e infraestrutura estratégica em diversos países europeus.
Governos europeus discutem a necessidade de modernizar sistemas de defesa, revisar protocolos de alerta e reforçar a cooperação militar, em meio ao enfraquecimento de tratados de controle de armas. A presença do Oreshnik em Belarus é vista como fator adicional de tensão, por aproximar vetores de lançamento do território de aliados da OTAN.
- Reflexão sobre defesas antimísseis em países da OTAN.
- Debate sobre novos acordos de limitação de mísseis de alcance intermediário.
- Aumento do monitoramento de instalações em Belarus e fronteiras russas.
- Pressões internas em governos europeus por mais investimentos em defesa.