A suspensão dos produtos decorativos da marca Morello pela Anvisa chamou a atenção para um tema que costuma passar despercebido no dia a dia: o uso de glitter e plásticos em contato direto com alimentos. O caso envolve itens amplamente divulgados em plataformas de comércio eletrônico e em redes sociais, vendidos como se fossem próprios para uso em bolos, doces e outras preparações culinárias, reforçando a necessidade de atenção redobrada a produtos para confeitaria, especialmente quando são adquiridos pela internet.
O que motivou a suspensão dos produtos Morello pela Anvisa?
A Anvisa determinou o recolhimento da Folha de Ouro para decoração com polímeros plásticos e do Pó/Brilho (glitter) para decoração com polímeros plásticos, ambos da marca Morello, em todas as cores. Esses produtos eram divulgados como adequados para decorar alimentos, com contato direto com coberturas, recheios e superfícies comestíveis, o que os enquadra na cadeia de alimentos.
O problema central é que a formulação envolve substâncias sem autorização para uso como aditivos alimentares ou componentes em contato direto com alimentos. A Anvisa destacou ainda que a forma de divulgação poderia induzir o entendimento de que eram seguros para uso culinário, o que reforçou a necessidade de recolhimento e alerta ao mercado.
Quais produtos podem ser usados com segurança na decoração de alimentos?
Produtos para decoração comestível, como confeitos, corantes e coberturas, precisam seguir regras específicas de composição, rotulagem e registro. A legislação brasileira exige avaliação de segurança toxicológica para substâncias usadas em contato direto com alimentos, incluindo corantes, pigmentos e partículas brilhantes.
No caso de produtos de decoração com glitter e polímeros plásticos, há preocupação com a ingestão de partículas não autorizadas como aditivos alimentares. Por isso, é essencial diferenciar itens realmente comestíveis de artigos meramente decorativos, evitando a falsa impressão de que qualquer brilho é seguro para consumo.
- Itens comestíveis: desenvolvidos para uso em alimentos, com composição autorizada pela Anvisa.
- Itens decorativos não comestíveis: indicados apenas para suportes, embalagens, toppers e outras partes sem contato com o que será ingerido.
- Produtos irregulares: sugerem uso comestível, mas contêm substâncias sem aprovação para esse fim.
Como identificar produtos seguros para decoração de alimentos?
Diante de casos como o da marca Morello, cresce a preocupação com a escolha de produtos de confeitaria seguros. A avaliação vai além da aparência do item e envolve rótulo, lista de ingredientes, dados do fabricante e, sempre que possível, confirmação de registro ou regularização na Anvisa.
Esse cuidado é ainda mais importante para quem trabalha com bolos personalizados, sobremesas temáticas e doces para venda, pois a responsabilidade sobre a segurança do alimento é do manipulador e do estabelecimento. A atenção a cada detalhe do rótulo reduz riscos e contribui para a confiança do consumidor.
- Verificar se o produto é indicado como comestível: o rótulo deve mencionar claramente o uso em alimentos, e não apenas “decorativo” de forma genérica.
- Consultar o registro ou autorização na Anvisa: muitos produtos trazem número de registro ou indicação de isenção, permitindo checagem em bases oficiais.
- Observar a lista de ingredientes: presença de plásticos, glitter industrial ou substâncias não reconhecidas como aditivos alimentares acende um alerta.
- Analisar a rotulagem: fabricante, CNPJ, endereço e lote devem estar visíveis para garantir rastreabilidade.
- Cuidar com compras em marketplaces: ler atentamente anúncios, avaliações e fotos do rótulo em plataformas como Shopee, Mercado Livre e Amazon.
Quais impactos a suspensão pode gerar para o setor de confeitaria?
A determinação de recolhimento dos produtos da marca Morello provoca ajustes ao longo da cadeia de produção e comércio. Lojas que revendiam esses materiais precisam interromper a oferta e providenciar a devolução, enquanto pequenos negócios de confeitaria tendem a buscar alternativas regulares, como pós brilhantes aprovados para uso alimentício.
O episódio deve incentivar maior fiscalização sobre a divulgação de artigos decorativos em redes sociais, especialmente quando apresentados como próprios para consumo. Para o consumidor final, o caso reforça a importância de verificar a origem de produtos com brilho intenso ou aparência plástica e seguir orientações das autoridades sanitárias para reduzir riscos na preparação de alimentos decorados.