O cenário político do Rio Grande do Norte entrou em nova fase nesta segunda-feira (19/1) após o anúncio de que o Partido dos Trabalhadores (PT) pretende lançar um nome próprio para disputar o chamado mandato-tampão no RN, após o vice-governador Walter Alves (MDB) informar que não aceitará assumir o governo em caso de renúncia da atual chefe do Executivo, Fátima Bezerra (PT), que pretende concorrer ao Senado em 2026.
Como funciona o mandato-tampão no RN?
O termo mandato-tampão indica um período curto de governo, destinado a completar o restante de uma gestão. No Rio Grande do Norte, a vacância pode ocorrer caso Fátima Bezerra deixe o cargo até abril de 2026 para disputar uma vaga no Senado, cumprindo a regra do Tribunal Superior Eleitoral.
Como a saída ocorreria faltando menos de um ano para o fim do mandato, a legislação prevê eleição indireta na Assembleia Legislativa, e não voto direto da população. Nesse contexto, o PT decidiu apresentar um candidato próprio para preservar o projeto que governa o estado desde 2019 e evitar que o Executivo passe para um grupo de oposição.
Quem são os protagonistas do mandato-tampão no RN?
O impasse em torno do mandato-tampão no RN envolve a governadora Fátima Bezerra, em final de segundo mandato e com pré-candidatura ao Senado, e o vice-governador Walter Alves, que recusou assumir o Executivo e pretende disputar uma vaga de deputado estadual em 2026. A decisão rompe a lógica de sucessão automática e força uma solução negociada na Assembleia.
Internamente, o PT trabalha o nome do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, ligado à área econômica e identificado com a gestão iniciada em 2019. Já o MDB potiguar se reposiciona ao se aproximar da Federação União Progressista (União Brasil e PP) e do PSD, em torno da pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, ao governo do estado. Veja a nota divulgada pelo partido:
Quais são os principais impactos políticos da crise entre PT e MDB no RN?
A crise entre PT e MDB reorganiza o tabuleiro político potiguar na sucessão imediata, na eleição estadual de 2026 e na relação com o governo federal. No curto prazo, a recusa de Walter obriga o PT a construir maioria na Assembleia Legislativa para vencer a eleição indireta e emplacar seu candidato ao mandato-tampão.
Ao mesmo tempo, o movimento do MDB fortalece o campo oposicionista que pretende enfrentar o grupo de Fátima na eleição de 2026, dando visibilidade à pré-candidatura de Allyson Bezerra. No plano nacional, contudo, o MDB reafirma apoio à tentativa de reeleição de Lula, criando um cenário de aliança em Brasília e confronto no Rio Grande do Norte.
Quais serão os próximos passos para a escolha?
Com a renúncia de Fátima Bezerra prevista até o prazo legal, o cronograma político depende da formalização da saída da governadora, da definição oficial dos candidatos e da articulação de votos na Assembleia. A condução desse processo servirá como teste de articulação, fidelidade de bases e capacidade de formar alianças duradouras entre governistas e oposicionistas.
Para tornar mais claro o que deve acontecer até a escolha do novo governador ou governadora, é possível resumir os próximos passos institucionais em uma sequência de atos e negociações dentro do Legislativo estadual:
- Confirmação da data em que a governadora deixará o cargo para disputar o Senado.
- Indicação formal, pelos partidos, dos nomes que concorrerão ao mandato-tampão no RN.
- Negociação de apoios entre siglas governistas e oposicionistas dentro da Assembleia.
- Realização da votação indireta, com escolha de quem comandará o estado até dezembro de 2026.