O debate sobre crédito consignado para beneficiário do BPC ganhou novo capítulo com a apresentação de um projeto de lei que muda o momento em que esse público pode contratar empréstimos. A proposta discute prazos, limites e cuidados na concessão de crédito para quem depende do Benefício de Prestação Continuada como principal fonte de renda, envolvendo tanto regras jurídicas quanto impactos práticos no dia a dia de idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade.
O que é o BPC e quem tem direito ao benefício?
O Benefício de Prestação Continuada é uma política de assistência social prevista na Constituição Federal e regulamentada pela Lei Orgânica da Assistência Social. Ele garante o pagamento mensal de um salário mínimo a pessoas idosas, a partir de 65 anos, e a pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, sem exigir contribuição prévia ao INSS.
Para acessar o BPC, é necessário cumprir critérios de renda e passar por avaliação social e, no caso de deficiência, por avaliação médica. Em geral, a renda familiar per capita deve ser baixa, reforçando o caráter de proteção mínima do benefício e seu foco em quem não consegue manter a própria subsistência ou contar com apoio financeiro suficiente da família.
O que muda no crédito para beneficiário do BPC com o Projeto de Lei 1037/25?
O Projeto de Lei 1037/25 trata diretamente do empréstimo para beneficiário do BPC e estabelece que qualquer modalidade de crédito só poderá ser contratada a partir do 10º mês de recebimento do benefício. A intenção é evitar que, logo no início, quando o beneficiário ainda se adapta à nova renda, sejam assumidas dívidas que possam comprometer essa fonte de sustento essencial.
Além do prazo mínimo, o texto determina que o valor das prestações não pode comprometer a renda mínima mensal destinada à subsistência, preservando parte do benefício para despesas básicas. O projeto ainda reforça o dever das instituições financeiras de avaliar riscos e prestar informações claras sobre juros, prazos, custos totais e condições de pagamento, em linguagem acessível ao público-alvo.
Quais são os pilares do crédito vinculado ao BPC?
Na prática, o projeto de lei organiza o crédito vinculado ao BPC em torno de alguns pilares centrais, que buscam equilibrar acesso ao dinheiro emprestado com proteção da renda de sobrevivência. Esses eixos orientam as regras de prazo, limite de desconto e transparência na oferta de produtos financeiros:
🧾 Regras de proteção ao beneficiário
Transparência & limites| Tema | O que a regra determina | Por que isso importa |
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Prazos
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Proibição de contratar empréstimos nos nove primeiros meses de recebimento do benefício. | Cria um período de “proteção” no início do benefício, reduzindo risco de endividamento imediato. |
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Limites de comprometimento
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Garantia de que uma quantia mínima do BPC permaneça livre de descontos para despesas básicas. | Preserva parte do benefício para itens essenciais (alimentação, remédios e contas), evitando “zero líquido”. |
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Transparência
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Exigência de informações claras e completas por parte das instituições financeiras sobre custos e riscos. | Ajuda o beneficiário a comparar condições (juros, CET, prazos) e entender consequências antes de contratar. |
Por que controlar o empréstimo para BPC é questão de política pública?
O projeto surge em um contexto de expansão da inclusão financeira, em que serviços bancários e de crédito alcançam grupos historicamente excluídos do sistema financeiro. Ao receber mensalmente um salário mínimo, beneficiários do BPC passam a ser alvo de forte oferta de crédito consignado, empréstimos pessoais e produtos digitais, muitas vezes com pouca orientação.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o superendividamento de pessoas de baixa renda, expostas a juros elevados, pressão comercial e contratos complexos. Controlar o crédito ligado ao BPC visa preservar a função do benefício como renda de sobrevivência, reduzir o endividamento em massa e estimular práticas mais responsáveis por parte das instituições financeiras.
Como o Projeto de Lei 1037/25 tramita no Congresso Nacional?
O texto tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados, podendo ser aprovado diretamente pelas comissões temáticas, salvo se houver recurso para análise em Plenário. Ele será examinado pela Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, pela Comissão de Finanças e Tributação e pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Em cada etapa, avaliam-se o mérito social, os impactos fiscais e a compatibilidade com a Constituição e demais leis. Se aprovado na Câmara, o projeto segue para o Senado e, após eventual aprovação e sanção presidencial, as novas regras sobre empréstimo para BPC passam a valer, definindo um novo marco para o acesso ao crédito por esse público vulnerável.