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Início Política

Presidente interina da Venezuela reage aos EUA e diz que “chega de ordens de Washington”

Por Junior Melo
26/jan/2026
Em Política
Presidente interina da Venezuela reage aos EUA e diz que "chega de ordens de Washington"

Delcy Rodríguez - Foto: Wikimedia Commons

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A nova fase da crise política na Venezuela ganhou mais um capítulo com a declaração da presidente interina Delcy Rodríguez, que afirmou neste domingo (25/1) estar cansada das ordens vindas de Washington em um encontro com trabalhadores do setor petrolífero em Puerto La Cruz, em meio ao clima tenso provocado pela captura do ex-líder Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no início de janeiro de 2026, reforçando o tom de soberania e resistência externa que tem marcado a transição de poder no país.

Qual a nova postura de Delcy Rodríguez?

Ao pedir que “a política venezuelana resolva suas diferenças e seus conflitos internos”, a presidente interina coloca a questão da soberania no centro do debate nacional e tenta se diferenciar tanto do legado de Maduro quanto de uma tutela externa explícita.

Especialistas em política latino-americana observam que o cenário atual combina pressão judicial e diplomática de Washington sobre Maduro, agora detido e respondendo a acusações em solo norte-americano, com a necessidade interna de reorganização institucional. Nesse contexto, o discurso de Rodríguez busca dialogar com a população que rejeita o chavismo tradicional, mas também desconfia de uma intervenção excessiva dos Estados Unidos.

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Qual é o papel dos Estados Unidos na crise venezuelana atual?

O envolvimento dos Estados Unidos na crise venezuelana não começou com a prisão de Nicolás Maduro, mas o episódio elevou o patamar da intervenção externa no debate interno do país. A Casa Branca mantém sanções, pressões diplomáticas e acompanhamento direto da situação política em Caracas, e a captura de Maduro e de Cilia Flores, no início de 2026, foi interpretada como um recado de que Washington pretende seguir influente nas definições de poder na Venezuela.

Ao mesmo tempo, a própria presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, chegou ao posto com apoio explícito do governo Trump, o que torna sua mensagem de “independência” mais complexa. Para esclarecer como essa influência se manifesta na prática, é possível destacar alguns vetores principais da atuação norte-americana no país:

  • Pressão judicial: Maduro responde a acusações em tribunais norte-americanos, o que limita sua capacidade de articulação política.
  • Pressão econômica: sanções continuam afetando o setor de energia e finanças, condicionando a recuperação econômica.
  • Pressão política: Washington reconhece e apoia a liderança interina de Rodríguez, ampliando seu peso nas negociações internas.

Como Delcy Rodríguez tenta unificar o país após a captura de Maduro?

Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina com o desafio de falar a diferentes públicos: antigos aliados do chavismo, opositores históricos de Maduro e uma população cansada de crise econômica prolongada. Ao discursar diante de trabalhadores do setor petrolífero em Puerto La Cruz, ela escolheu um palco simbólico, pois o petróleo sempre foi eixo central da política venezuelana e peça-chave para qualquer tentativa de reestruturação nacional e renegociação de sanções.

Em seus discursos recentes, Rodríguez combina três eixos principais: defesa da soberania, apelo ao diálogo interno e recusa à escalada de conflito aberto com Washington. A mensagem é de que a Venezuela deve buscar soluções próprias, mas sem romper totalmente com a comunidade internacional, tentando reduzir a percepção de que o país estaria apenas seguindo diretrizes da Casa Branca, apesar do apoio norte-americano à sua liderança interina.

Quais são os possíveis desdobramentos?

O cenário político venezuelano segue aberto e sujeito a mudanças rápidas em 2025 e 2026, com a presença de Nicolás Maduro nos Estados Unidos, enfrentando acusações, criando um fato novo que altera correlações de força entre antigos aliados, oposição e atores internacionais. A postura de Delcy Rodríguez, ao rejeitar “ordens de Washington” e, ao mesmo tempo, manter algum nível de diálogo, tende a influenciar como outros países da região e organismos multilaterais vão se posicionar em relação à Venezuela.

Entre os possíveis desdobramentos, analistas apontam a chance de novos acordos internos, a reconfiguração de partidos e movimentos que orbitavam em torno de Maduro e uma redefinição do papel do setor petrolífero na recuperação econômica. A forma como a presidente interina conseguirá equilibrar soberania nacional, pressões externas e expectativas sociais será determinante para o rumo da transição e para eventuais eleições gerais supervisionadas internacionalmente.

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