O pedido de impeachment contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu um novo capítulo na relação entre o Judiciário e o Senado Federal. O documento foi protocolado nesta quarta-feira (14/1) e encaminhado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por iniciativa dos senadores Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF), que apontam supostos indícios de crime de responsabilidade com base na Constituição Federal e em possível violação ao dever de imparcialidade. As informações são da Jovem Pan.
Como o pedido de impeachment contra Dias Toffoli foi motivado?
O pedido de impeachment se concentra em fatos que, segundo os senadores, configurariam crime de responsabilidade e violariam a imparcialidade judicial. Para os autores, essa conduta colocaria em risco a confiança pública no Judiciário e afrontaria princípios constitucionais básicos da administração pública.
O texto aponta suposta “frontal afronta” a valores como moralidade, impessoalidade e finalidade pública, previstos no artigo 37 da Constituição. A argumentação busca enquadrar as atitudes questionadas de Toffoli nesses fundamentos, destacando que até a aparência de favorecimento poderia ser incompatível com o cargo.
Como funciona o processo de impeachment de ministro do STF?
O impeachment de ministro do STF é previsto na Constituição e tem natureza político-jurídica, sendo acionado em situações excepcionais. O Senado tem competência para julgar ministros da Corte por crime de responsabilidade, cabendo ao presidente da Casa decidir, inicialmente, se o pedido terá andamento ou será arquivado.
Após eventual admissão, o processo segue uma sequência de etapas formais e de mérito, nas quais se analisam requisitos jurídicos, provas e garantias de defesa. Em geral, esse tipo de processo provoca intenso debate público e repercussão sobre a independência entre os Poderes e a estabilidade institucional. Veja publicação do senador Magno Malta:
Além de querer que a Polícia Federal cumprisse um prazo impossível, Toffoli ainda mandou reter todo o material apreendido, tudo “lacrado”, sob seu controle.
— Magno Malta (@MagnoMalta) January 14, 2026
Assim, passa a monitorar a perícia e colocar a investigação sob tutela.
No caso do Banco Master, o amigo do amigo do meu… pic.twitter.com/iLMlAKZlk8
Quais são os principais pontos ligados ao chamado “Caso Banco Master”?
Um dos eixos centrais do pedido é o chamado “Caso Banco Master”, que envolve atos praticados pelo ministro em investigações relacionadas ao tema. Os senadores citam supostas relações extraprocessuais e possíveis vínculos indiretos envolvendo familiares, com base em reportagens de veículos da imprensa nacional.
Entre os pontos destacados, aparece a alegação de que Toffoli teria viajado a Lima, no Peru, em aeronave particular de um empresário, acompanhado por um advogado ligado à defesa de investigado no inquérito do Banco Master. Para os parlamentares, esse tipo de situação criaria aparência de vínculo privilegiado com uma das partes, em possível violação ao Código de Ética da Magistratura.
Quais os impactos do caso relacionado a Dias Toffoli?
O texto protocolado enfatiza que o comportamento atribuído a Dias Toffoli, se confirmado, afetaria a noção de imparcialidade judicial, elemento essencial da função jurisdicional. Também são destacados princípios constitucionais e normas éticas que, segundo os autores, teriam sido afrontados em razão da aparência de proximidade com investigados.
Para organizar a argumentação, os senadores listam os principais fundamentos jurídicos e éticos que, em tese, teriam sido violados:
- Moralidade administrativa: exigência de conduta ética, transparente e alinhada ao interesse público;
- Impessoalidade: proibição de favorecimento, ainda que aparente, a partes específicas;
- Finalidade pública: obrigação de que atos sejam praticados com foco no interesse coletivo, e não em relações pessoais;
- Código de Ética da Magistratura: vedação à criação de qualquer aparência de vínculo privilegiado com litigantes ou investigados.