O alerta sobre fórmula infantil contaminada levanta dúvidas importantes entre pais e cuidadores. Quando o alimento de base de um bebê é alvo de recall, a preocupação é entender riscos, sintomas e como agir com segurança. No caso recente envolvendo fórmulas infantis da Nestlé Brasil, a Anvisa suspendeu alguns lotes nesta quarta-feira (7/1) devido ao risco de contaminação por cereulide, toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus, exigindo atenção redobrada em recém-nascidos e crianças pequenas.
O que acontece se o bebê consumir fórmula infantil contaminada?
Quando um bebê consome fórmula contaminada pela toxina cereulide, podem surgir sintomas gastrointestinais agudos, como vômitos intensos, diarreia, sonolência acentuada e mal-estar. Esses sinais costumam aparecer nas primeiras seis horas após a ingestão do produto suspeito e devem ser observados com cuidado.
A cereulide interfere em processos metabólicos ligados ao íon potássio e desencadeia o reflexo do vômito. Em bebês, o maior risco está na desidratação decorrente da perda de líquidos e eletrólitos, embora, na maioria dos casos, o quadro seja autolimitado e dure cerca de 24 horas, com melhora progressiva após hidratação adequada e suporte clínico.
Quais são os principais riscos do Bacillus cereus em fórmulas infantis?
O Bacillus cereus é um microrganismo comum em matérias-primas e alimentos como leite e derivados, e algumas cepas produzem toxinas associadas à intoxicação alimentar. Em fórmulas infantis, a preocupação aumenta porque a toxina cereulide é relativamente resistente ao calor, tornando o aquecimento convencional incapaz de eliminá-la por completo.
Por isso, a prevenção depende de rígido controle de qualidade na produção, transporte e estocagem, além da retirada imediata de lotes suspeitos, como no recall de Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino. Em bebês, mesmo quadros considerados leves podem afetar alimentação, sono, disposição e exigir monitoramento próximo.
Como agir com segurança se o bebê usou fórmula de lote em recall?
Ao identificar que o bebê consumiu fórmula de lote incluído no recall, o primeiro passo é observar atentamente os sintomas nas horas seguintes. Vômitos, diarreia, sonolência fora do padrão ou mal-estar são sinais de alerta que indicam a necessidade de avaliação em pronto-atendimento pediátrico, com foco em hidratação e monitorização dos sinais vitais.
Se o bebê ingeriu o produto, mas não apresentou sintomas nas primeiras horas, não há indicação automática de exames ou internação, porém o uso da fórmula daquele lote deve ser suspenso. A orientação é manter vigilância, conversar com o pediatra e seguir as recomendações da fabricante para devolução gratuita e reembolso por meio do atendimento ao consumidor.
Como conferir os lotes e reduzir o risco de exposição?
Em situações de recall de fórmula infantil, conferir o número do lote diretamente na embalagem e compará-lo com a lista oficial divulgada pela empresa e pela Anvisa é essencial. Se o código estiver entre os recolhidos, o produto não deve ser oferecido ao bebê, mesmo que ele não tenha apresentado qualquer desconforto aparente.
Alguns cuidados simples ajudam a reforçar a proteção diária e a reduzir o risco de exposição prolongada a lotes potencialmente contaminados, favorecendo a rastreabilidade e o uso mais seguro das fórmulas lácteas:
- Verificar regularmente comunicados de recall em sites oficiais, como o da Anvisa e da fabricante.
- Guardar a embalagem até o fim do uso, garantindo acesso ao número do lote.
- Preparar a fórmula seguindo rigorosamente as instruções de higiene e diluição.
- Descartar qualquer fórmula já preparada que tenha ficado muito tempo em temperatura ambiente.