Os carros elétricos ganharam espaço nas cidades e impulsionaram investimentos em infraestrutura de recarga, mas esse avanço também trouxe um problema crescente: o furto de cabos de carregamento em estações públicas e privadas. Esse tipo de crime afeta a confiança dos usuários, compromete a rotina de quem depende da recarga fora de casa e gera prejuízos para empresas que investem em redes de carregadores rápidos e semirrápidos.
Qual é o impacto do furto de cabos de carregamento para os carros elétricos?
Para os carros elétricos, o furto de cabos deixou de ser um caso pontual e passou a representar um desafio recorrente. Desde 2023, redes da Europa, América do Norte e América Latina registram aumento consistente desses crimes, com intensificação a partir de 2024, especialmente em locais pouco iluminados ou com baixo fluxo de pessoas.
A motivação principal costuma estar ligada ao valor do cobre e de outros metais presentes nos cabos. Cada unidade furtada gera prejuízos que incluem danos à estação, necessidade de testes de segurança, custos de deslocamento de equipes técnicas e perda de receita enquanto o carregador permanece inoperante.
Como o furto de cabos é tratado nas estatísticas e na gestão das redes?
Nas estatísticas internas das empresas, o roubo de cabos aparece ao lado de outros crimes patrimoniais automotivos, como furto de catalisadores, baterias e componentes externos de alto valor agregado. Para quem administra redes de recarga, isso exige mudança de mentalidade e de processos de gestão.
As estações deixam de ser apenas pontos de fornecimento de energia e passam a ser tratadas como ativos críticos, que precisam de proteção permanente, planos de contingência, orçamentos específicos para substituições e integração com equipes de segurança e monitoramento remoto.
Quais medidas estão sendo adotadas contra o furto de cabos em estações?
Para reduzir o furto de cabos em estações de carregamento de veículos elétricos, as empresas combinam soluções físicas, digitais e operacionais. A estratégia é tornar o crime menos atraente, mais arriscado e mais fácil de rastrear, sem comprometer a experiência do usuário final.
Entre as principais medidas adotadas por operadores de infraestrutura de recarga destacam-se ações focadas em dissuadir o crime, facilitar a investigação e acelerar a recuperação operacional das estações:
- Melhoria de iluminação e vigilância: instalação de holofotes, câmeras de alta definição e monitoramento remoto em tempo real.
- Rastreamento de cabos: incorporação de módulos de localização, que emitem sinais constantes quando o cabo é desconectado de forma suspeita.
- Marcação química e serialização: uso de tintas e códigos únicos, que permitem identificar a origem do cabo em apreensões policiais.
- Cabos reforçados contra vandalismo: adoção de materiais mais resistentes ao corte e fixação interna mais robusta ao pedestal.
- Sensores de violação: alertas automáticos ao detectar abertura não autorizada de tampas, conectores ou painéis.
No vídeo a seguir, Guilherme Pozzatto, que soma mais de 26,5 mil seguidores e 1,7 milhão de curtidas, contextualiza o problema, explica os impactos para usuários e empresas e aponta por que questões de segurança e infraestrutura ainda são entraves importantes para a popularização dos veículos elétricos no país:
@guipozzatto No Reino Unido, estão furtando cabos de carregadores de carros elétricos.🤯🚨 Já pensou se essa moda chega ao Brasil? Esse tipo de crime representa um grande desafio para a segurança pública e pode comprometer seriamente a adoção de tecnologias sustentáveis no setor automotivo. Sem infraestrutura segura, o avanço dos carros elétricos fica ameaçado.
♬ som original – Guilherme Pozzatto – Guilherme Pozzatto
De que forma a legislação pode ajudar a reduzir esses crimes?
Embora a tecnologia tenha papel central na proteção da infraestrutura, operadores defendem a atualização das normas para acompanhar a expansão da mobilidade elétrica. Em vários países, discute-se o enquadramento dos cabos de carregamento como parte da infraestrutura pública essencial, permitindo punições mais severas em casos de vandalismo e furto.
Outra frente em debate é o controle sobre a revenda de sucata com cobre e outros metais, com medidas como registro obrigatório de compradores, exigência de nota fiscal detalhada e rastreio da origem do material, reduzindo o escoamento de itens provenientes de roubo e desestimulando a prática criminosa.
Como a cooperação entre setor público e privado contribui para a proteção?
A cooperação entre operadores, autoridades policiais e órgãos reguladores tem ganhado espaço como ferramenta prática de prevenção e investigação. O compartilhamento de dados sobre locais com maior incidência, padrões de atuação e rotas de escoamento de metais torna as ações policiais mais direcionadas e eficazes.
Em paralelo, associações dos setores de energia, transporte e reciclagem pressionam por normas específicas para crimes contra infraestrutura de carregamento, buscando alinhar segurança jurídica, padronização de requisitos mínimos de proteção e incentivos para investimentos em tecnologias antifurto.
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Como esses furto afeta a confiança nos donos de carros elétricos?
O impacto do furto de cabos de carregamento vai além dos prejuízos financeiros diretos. Cada estação danificada interfere na percepção de confiabilidade da rede, e pontos fora de serviço em aplicativos e mapas transmitem a ideia de fragilidade, o que pode desestimular potenciais compradores de veículos elétricos.
Para quem já depende dessa infraestrutura, a indisponibilidade de estações significa ajustes de rota, perda de tempo e maior incerteza em viagens mais longas. A resposta do setor combina cabos mais resistentes, monitoramento avançado, protocolos de manutenção rápida e comunicação transparente, tratando o furto como risco operacional controlável na maturação da mobilidade elétrica.