A BR-135, rodovia federal que liga o continente à ilha de São Luís, vem passando por uma transformação que altera o padrão histórico de conservação da via. Entre os municípios de Miranda do Norte e Alto Alegre do Maranhão, um trecho de 74 quilômetros está sendo reconstruído com pavimento de concreto para atender ao tráfego pesado que alimenta o Porto do Itaqui, em uma intervenção robusta planejada para melhorar a fluidez do transporte no estado e reduzir custos logísticos de longo prazo.
Por que a BR-135 é estratégica para o Porto do Itaqui?
A BR-135 é a principal rodovia de acesso rodoviário a São Luís e, por consequência, ao Porto do Itaqui, um dos principais corredores de exportação de grãos do país. Caminhões carregados de soja, milho e outros produtos do agronegócio utilizam esse corredor para chegar aos terminais portuários, entre eles o Tegram, que dispõe de elevada capacidade estática de armazenagem.
Por muitos anos, o pavimento asfáltico não acompanhou o crescimento da frota e do peso dos veículos, acumulando buracos, ondulações e remendos sucessivos. Esse cenário transformou o trecho em um gargalo logístico, reduzindo a velocidade média, elevando custos de operação e afetando a previsibilidade das viagens entre o interior e o litoral maranhense.
Como funciona o investimento em pavimento de concreto na BR-135?
O investimento, enquadrado no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), é de cerca de R$ 382 milhões para um pavimento projetado para durar aproximadamente três décadas, segundo parâmetros do DNIT. Pouco mais da metade do contrato já foi executada, com dezenas de quilômetros operando em novo piso rígido e previsão de conclusão ajustada para o fim de 2026.
O valor aproximado de R$ 5,1 milhões por quilômetro inclui, além do concreto, serviços de drenagem, sinalização, dispositivos de segurança, gestão ambiental e mobilização de equipamentos pesados. Em termos de política pública, o trecho em concreto é tratado como infraestrutura de apoio às cadeias produtivas ligadas ao Porto do Itaqui, consolidando o Maranhão como rota competitiva de escoamento.
O que é o pavimento de concreto aplicado na BR-135?
No trecho entre os quilômetros 125 e 199, a modernização utiliza a técnica de whitetopping, que aplica uma nova camada de concreto sobre o pavimento existente, desde que a base ainda tenha condições estruturais adequadas. Antes da concretagem, a equipe regulariza o revestimento antigo, trata trincas, deformações e drenagem, de modo que o asfalto passe a atuar como suporte para a laje de concreto.
Após essa preparação, são executadas etapas típicas de pavimentos rígidos, com foco em garantir durabilidade, conforto de rolamento e segurança em pista molhada. Entre os principais procedimentos adotados na BR-135, destacam-se:
- instalação de barras para transferência de carga entre placas;
- lançamento, espalhamento e vibração do concreto;
- nivelamento e texturização da superfície para aderência e escoamento de água;
- abertura e selagem de juntas transversais e longitudinais;
- cura controlada para evitar fissuras prematuras e retrabalhos.
Como a obra na BR-135 afeta o dia a dia de quem trafega?
A intervenção é executada com a rodovia em operação, o que exige desvios, operações “pare e siga” e faixas temporárias. O fluxo de caminhões, ônibus e carros leves é constantemente reorganizado, impactando o tempo de viagem e exigindo esquema diário de sinalização, controle de velocidade e presença de equipes de campo para orientar motoristas.
No clima maranhense, com altas temperaturas e sol intenso, o controle da cura do concreto é ainda mais rigoroso para evitar fissuras precoces. São aplicados agentes de cura, monitoradas temperatura e umidade, adotadas proteções contra vento e insolação nas primeiras horas e restringidas cargas pesadas até a resistência adequada, assegurando o desempenho projetado do pavimento.
Quais são os principais impactos logísticos e econômicos do novo pavimento?
Embora represente uma fração dos mais de 2.400 quilômetros da BR-135, o trecho em obras tem peso desproporcional na logística regional. A melhoria do piso reduz paradas inesperadas, desgaste de pneus e suspensões e a variabilidade do tempo de viagem, criando um ambiente mais favorável para o planejamento de fretes e contratos de transporte.
À medida que mais quilômetros em concreto são entregues, diminui a necessidade de obras corretivas emergenciais típicas do asfalto remendado. Isso aumenta a confiabilidade do corredor até o Porto do Itaqui, apoia decisões de investimento na região e reforça a mudança de abordagem: sair de manutenções paliativas para um padrão de infraestrutura focado em durabilidade e desempenho de longo prazo.