A declaração da senadora Damares Alves sobre a escolha de uma mulher como vice na chapa de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026 recolocou o debate sobre a representação feminina no centro da discussão política, ao defender que a presença de uma candidata mulher na disputa presidencial pode alterar a forma como o eleitorado feminino enxerga a direita no país, em um cenário em que partidos e lideranças buscam se posicionar de forma estratégica diante de um público cada vez mais atento às pautas de gênero.
Qual foi o pedido feito por Damares a Flávio Bolsonaro?
Na avaliação de Damares Alves, a escolha de uma candidata mulher para a vice-presidência teria impacto eleitoral e simbólico ao sinalizar mudança de postura da direita diante do voto feminino.
Ao pedir que Flávio Bolsonaro “pense no nome de uma mulher para ser sua vice”, a senadora sugere que uma chapa com presença feminina poderia aproximar a direita de um segmento estratégico: o voto das mulheres, especialmente nas grandes cidades, onde a rejeição ao bolsonarismo foi mais elevada em 2022. “Eu acho que agora, em 2026, ô Flávio, ô amigo Flávio, pensa no nome de uma mulher para ser sua vice. Vai mudar muito na proposta quem tiver uma vice-presidente ou uma candidata feminina. Flávio, fica a dica, tá, amigo. Fica a dica.”, disse em entrevista ao programa Sala de Imprensa, do SBT News.
Quais são os principais argumentos de Damares?
O argumento de Damares se apoia em representatividade e comunicação política. De um lado, a presença de uma mulher na chapa sinalizaria preocupação com a participação feminina nos espaços de poder, em um país em que elas ainda são minoria no Congresso e em cargos do Executivo.
De outro lado, ajudaria a construir uma narrativa mais alinhada às demandas de eleitoras que cobram políticas para proteção social, combate à violência de gênero, saúde, educação e oportunidades no mercado de trabalho, áreas nas quais a direita, segundo a senadora, não conseguiu comunicar bem o que fez no governo de Jair Bolsonaro.
Como a direita pretende reconquistar o voto feminino em 2026?
Damares Alves chamou atenção para o que considera um risco eleitoral: a disputa pelo voto feminino em 2026, apontando que esse é o grupo em que a direita precisa ter “mais cuidado”. Na avaliação dela, houve falha tanto em entregar mensagens claras quanto em diferenciar pauta feminina de feminismo na comunicação política.
Para tentar reduzir essa confusão e sinalizar compromissos concretos, a senadora destaca que a agenda feminina deve se traduzir em ações práticas que dialoguem com necessidades cotidianas das mulheres brasileiras, especialmente as de baixa renda e moradoras das periferias urbanas.
- proteção contra a violência doméstica e sexual;
- programas de apoio a mães solo e famílias vulneráveis;
- incentivo ao empreendedorismo feminino e crédito orientado;
- políticas públicas de saúde voltadas a mulheres e crianças;
- fortalecimento de serviços de acolhimento e proteção social.
De que forma uma vice-presidente mulher pode influenciar?
A aposta em uma mulher na vice não se limita ao simbolismo, pois integra um cálculo eleitoral que busca influenciar debates, alianças e estratégias de comunicação. Em um ambiente competitivo, chapas presidenciais tendem a equilibrar perfil ideológico, regional, de gênero e trajetória política para ampliar o alcance do discurso.
Especialistas em marketing político costumam destacar que a composição da chapa ajuda a ampliar o diálogo com segmentos específicos, reforçar mensagens-chave do programa de governo, compensar possíveis rejeições do cabeça de chapa e abrir portas em setores onde há maior resistência ao campo conservador. Dentro dessa lógica, a recomendação de Damares Alves a Flávio Bolsonaro se insere na tentativa de reduzir a distância entre o campo conservador e o público feminino com uma campanha de mais “leveza e ternura”, sem abrir mão de bandeiras como defesa da família, da segurança pública e de valores religiosos. O debate se conecta a um movimento mais amplo em que partidos de diferentes espectros testam candidaturas femininas em cargos majoritários para responder à cobrança por mais diversidade.