Óculos com foco automático começam a aparecer como uma possível nova fase da correção visual, misturando tecnologia de ponta e aparência de armação tradicional. A proposta da empresa finlandesa IXI é oferecer óculos que se pareçam comuns no rosto, mas escondam um sistema capaz de mudar o grau das lentes em tempo real, conforme a necessidade de quem está usando, dialogando diretamente com quem alterna o tempo todo entre enxergar telas, livros e ambientes distantes.
Como funcionam os óculos com foco automático da IXI?
No centro da tecnologia dos óculos com foco automático está uma lente que muda de forma eletrônica. Dentro da armação, a IXI instala uma matriz de fotodiodos e pequenos LEDs que projetam luz infravermelha invisível nos olhos, cuja reflexão é medida pelos sensores para mapear a direção do olhar.
Com essas informações, o sistema calcula se o usuário está tentando ler algo próximo, trabalhar a uma distância intermediária ou observar algo distante. A lente usa uma camada de cristal líquido que altera seu comportamento óptico conforme a corrente elétrica aplicada, ajustando o grau em tempo real e criando uma “zona de leitura” dinâmica quando necessário.
Como as lentes de cristal líquido ampliam o campo de visão?
Em vez de áreas fixas de magnificação, como em bifocais e progressivas, a lente eletrônica busca oferecer uma experiência mais contínua. A maior parte do tempo, a superfície funciona como lente de visão simples para longe, enquanto a região de leitura aparece apenas quando ativada pelo direcionamento do olhar.
Esse desenho tenta reduzir o problema do “corredor de visão” típico das multifocais, diminuindo distorções laterais e aumentando a área útil tanto para longe quanto para perto. A região ativa pode ser calibrada a partir do exame oftalmológico de cada pessoa, visando uma posição de leitura mais confortável e natural. Veja mais detalhes sobre a tecnologia no vídeo divulgado pelo influenciador Pedro – Cara da Ótica, via Instagram:
Quais são as principais vantagens e limitações dos óculos com foco automático
Entre os possíveis ganhos, a IXI destaca a ampliação da área de visão nítida, especialmente para longe, já que praticamente toda a superfície da lente pode ser usada para enxergar à distância. Para perto, a zona de foco próximo se expande e é ativada apenas quando o olhar se volta a objetos próximos, desaparecendo quando a atenção retorna ao ambiente.
Além disso, o caráter eletrônico adiciona novas comodidades, mas também algumas restrições práticas no dia a dia, relacionadas a recarga, robustez e adaptação em diferentes cenários de uso. Entre pontos considerados positivos e limitações iniciais, destacam-se:
- Menor necessidade de inclinar a cabeça para encontrar o foco correto.
- Ajuste contínuo entre diferentes distâncias, sem linhas visíveis na lente.
- Aparência discreta, semelhante a armações convencionais, com peso em torno de 22 gramas.
- Modo de segurança que mantém o grau base (geralmente para longe) em caso de falha eletrônica.
- Dependência de bateria e recarga diária, com porta magnética na haste.
- Zona de transição própria na área ativa do cristal líquido, menos confortável na borda.
Quando os óculos com foco automático devem chegar ao mercado
A IXI, que emprega cerca de 75 pessoas e já captou mais de US$ 40 milhões em investimentos, pretende lançar seus óculos com foco automático primeiro na Europa, após a aprovação dos reguladores locais. A produção será feita na Finlândia, com poucos modelos de armação no início, em dois ou três formatos e diferentes larguras.
O preço deve ficar na faixa alta do segmento óptico, acima dos valores de óculos convencionais e possivelmente comparável a lentes multifocais de topo de linha. Outras companhias, como as japonesas Elcyo e ViXion, também testam lentes adaptativas de cristal líquido, embora ainda com designs menos próximos de armações tradicionais e com campo de visão mais restrito.