O encontro entre representantes da Dinamarca, da Groenlândia e do governo dos Estados Unidos ganhou novo peso após a recente pressão do presidente norte-americano Donald Trump para assumir o controle da ilha ártica. Em meio ao aumento da tensão diplomática, autoridades dos três lados decidiram levar o tema para uma conversa direta em Washington, com o objetivo de tratar, frente a frente, de soberania, segurança no Ártico e futuro político da Groenlândia.
Qual a resposta da Groenlândia e Dinamarca?
O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, e a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, solicitaram formalmente uma reunião na quarta-feira (14/1) com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, após novas declarações de Trump sobre uma possível “aquisição” da Groenlândia. A pressão pública do presidente reacendeu um debate iniciado em 2019, quando ele sugeriu que os Estados Unidos comprassem a ilha, gerando forte reação em Copenhague e Nuuk.
Segundo Rasmussen, o pedido de encontro buscou tirar o debate do campo das declarações e levá-lo para um ambiente de negociação institucional, onde ficassem claros os limites da soberania dinamarquesa e groenlandesa. Ele enfatizou que o status da ilha não é objeto de simples transação, defendendo a necessidade de “olhar nos olhos” os interlocutores norte-americanos e reafirmar que qualquer mudança de status deve respeitar o direito internacional e os processos internos do Reino da Dinamarca.
Qual a importância estratégica e econômica da Groenlândia?
A Groenlândia, com vasta extensão de gelo e baixa densidade populacional, ocupa posição geográfica estratégica no Ártico, entre a América do Norte e a Europa. Essa localização é crucial para a defesa ocidental, o monitoramento de rotas marítimas e operações militares no âmbito da Otan, funcionando para os Estados Unidos como uma ponte natural no Atlântico Norte.
Além da dimensão militar, o degelo no Ártico amplia a possibilidade de exploração de recursos minerais e energéticos, bem como de novas rotas de navegação. Para Dinamarca e Groenlândia, isso reforça a necessidade de manter controle sobre o território, definindo com cautela a presença de aliados; para Washington, maior influência na ilha é vista como forma de evitar que outros atores, como Rússia e China, ampliem sua presença na região.
Como será a reunião na Casa Branca?
O encontro em Washington contará com a participação do vice-presidente dos EUA, JD Vance, que se ofereceu para integrar a reunião e assumiu o papel de anfitrião. Com isso, a conversa ocorrerá diretamente na Casa Branca, o que revela o peso político que o tema da Groenlândia ganhou dentro do governo norte-americano e sua inserção na agenda de segurança nacional.
Na mesa, além de soberania, estarão em discussão formas de cooperação entre Copenhague, Nuuk e Washington no Ártico, bem como a presença militar norte-americana e da Otan na região. Um ponto sensível é a resistência em Washington à ideia de “compra” da ilha, inclusive em setores do Partido Republicano, que preferem fortalecer laços militares e diplomáticos sem alterar formalmente a soberania do território.
Quais os planos militares da Otan na Groenlândia?
Além da reunião na Casa Branca, o tema Groenlândia também será levado a Bruxelas, em debates mais amplos sobre segurança no Ártico no âmbito da Otan. O ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, informou que se reunirá com o secretário-geral da aliança, Mark Rutte, acompanhado da ministra Vivian Motzfeldt, reforçando o peso da ilha no planejamento de defesa ocidental.
A Dinamarca já traçou planos para ampliar sua presença militar na Groenlândia, com maior atividade de tropas e participação de outros países da Otan em exercícios a partir de 2026. Esse reforço é apresentado como esforço de longo prazo para consolidar o papel da Dinamarca e da Groenlândia dentro da aliança e garantir que decisões sobre a região sejam tomadas com a participação ativa dos responsáveis diretos pelo território.