A construção da Ponte sobre o Rio Araguaia, ligando São Geraldo do Araguaia (PA) a Xambioá (TO), é tratada como uma das principais intervenções rodoviárias da região Norte, estratégica para encurtar distâncias, organizar o fluxo de cargas e reduzir a dependência das balsas, embora enfrente entraves técnicos, logísticos e jurídicos que impactam o cronograma e exigem forte coordenação entre órgãos públicos e empresas privadas.
Quais são as principais características da Ponte sobre o Rio Araguaia?
A Ponte sobre o Rio Araguaia foi projetada como uma ligação rodoviária de grande porte, dimensionada para atender ao aumento de tráfego previsto para a próxima década. A estrutura possui aproximadamente 1.727 metros de extensão, em sistema misto de concreto e aço, combinando robustez, durabilidade e melhor controle de deformações sob carga.
Com largura de cerca de 14,6 metros, a ponte abriga duas pistas em mão dupla, acostamentos e passagem de pedestres. O projeto inclui iluminação em LED e sinalização completa, reforçando a segurança viária e reduzindo custos de operação e manutenção ao longo do tempo.
Como a navegação e a capacidade de carga foram consideradas no projeto?
Do ponto de vista da navegação, o projeto prevê um vão navegável com 19 metros de altura livre em relação ao nível normal do rio, garantindo passagem de embarcações de médio porte, mesmo em períodos de cheia. A ponte foi calculada para suportar veículos de grande porte, como carretas e ônibus, com capacidade de até 45 toneladas por veículo.
A estimativa de tráfego diário supera 5.000 veículos, inserindo a obra em um patamar de infraestrutura capaz de integrar circuitos regionais de transporte de longa distância. A previsão inicial de entrega era o segundo semestre de 2024, mas revisões de prazo são esperadas devido à complexidade técnica e administrativa.
Quais desafios dificultam a construção da Ponte sobre o Rio Araguaia?
Os desafios vão além da engenharia civil, destacando-se a realocação da rede elétrica na margem paraense, que impede o avanço de máquinas pesadas nas rampas de acesso. A remoção de famílias na área afetada, com indenizações e acordos judiciais, também alonga o cronograma e exige acompanhamento social adequado.
Em um cenário de logística difícil, com insumos percorrendo estradas em condição variável e forte exigência de licenciamento, cada atraso repercute nas demais frentes de trabalho. Entre os principais obstáculos operacionais e institucionais, destacam-se:
- Realocação de redes elétricas e tratativas com a concessionária.
- Remoção de famílias e liberação de pagamentos judiciais.
- Logística de transporte de insumos e equipamentos pesados.
- Exigências de licenciamento e coordenação entre União, estados e municípios.
Por que a retirada da rede elétrica na margem paraense é decisiva?
A remoção e o remanejamento da rede de distribuição de energia na cabeceira paraense são considerados gargalos centrais na obra. Postes e cabos próximos às áreas de acesso limitam a circulação de caminhões basculantes, carretas com vigas longas e guindastes, afetando concretagem, lançamento de vigas e montagem dos tabuleiros.
Sem a liberação desse corredor, a construtora precisa adaptar rotas, reduzir cargas e operar com restrições de segurança, diminuindo o ritmo de execução. A concessionária de energia aguarda a formalização completa do pedido, com definição de prazos, responsabilidades técnicas e compensação financeira para programar desligamentos e executar a retirada dos postes.
Quais impactos a Ponte sobre o Rio Araguaia trará para Pará e Tocantins?
A expectativa é que a ponte transforme a circulação entre o sul do Pará e o norte do Tocantins, reduzindo a travessia de balsa de cerca de 30 minutos para aproximadamente dois minutos. Isso melhora o planejamento de rotas, diminui atrasos em entregas e amplia a previsibilidade para empresas e motoristas.
Os reflexos locais devem fortalecer o comércio em São Geraldo do Araguaia e Xambioá, facilitar o escoamento da produção agrícola e pecuária em direção à BR-153 e à BR-230 (Transamazônica) e estimular novos investimentos logísticos e turísticos. A ponte foi concebida para operar sem pedágio, com acesso gratuito e observância das normas nacionais para transporte de cargas perigosas.