As operações militares dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas voltaram ao centro do noticiário internacional após um novo bombardeio registrado nesta quarta-feira (31/12). De acordo com comunicado oficial, três supostos narcoterroristas morreram na ação, elevando para pelo menos 110 o número de mortos desde o início de setembro, o que reacende o debate sobre a estratégia americana na região e a transparência das justificativas apresentadas.
Como ocorreu o novo bombardeio contra embarcações dos EUA?
O Comando Sul, responsável pelas ações militares dos Estados Unidos na América Latina, informou que o bombardeio mirou um comboio de três barcos que navegavam por rotas classificadas como “tradicionais” do narcotráfico. Segundo a nota oficial, os militares teriam identificado uma transferência de drogas entre embarcações pouco antes da intervenção, o que teria motivado o ataque aéreo.
Os três mortos estavam a bordo do primeiro barco atingido, enquanto, nas outras duas embarcações, os ocupantes teriam saltado ao mar antes dos disparos seguintes, que afundaram completamente os alvos. A Guarda Costeira dos EUA foi acionada logo após a ofensiva para buscas e salvamento, em uma conduta descrita por analistas como tentativa de reduzir danos e demonstrar maior preocupação humanitária. Veja as imagens abaixo (reprodução/X/@Southcom):
On Dec. 30, at the direction of @SecWar Pete Hegseth, Joint Task Force Southern Spear conducted kinetic strikes against three narco-trafficking vessels traveling as a convoy. These vessels were operated by Designated Terrorist Organizations in international waters. Intelligence… pic.twitter.com/NHRNIzcrFS
— U.S. Southern Command (@Southcom) December 31, 2025
Qual é o papel do conflito contra cartéis?
O novo ataque naval ocorre na mesma semana em que o presidente Donald Trump confirmou um primeiro bombardeio em solo venezuelano, realizado em 24 de dezembro, contra um pequeno porto supostamente usado para o carregamento de embarcações ligadas ao tráfico de drogas. Trump declarou que toda a infraestrutura do local foi destruída, sem detalhar coordenadas, origem precisa dos alvos ou eventual presença de civis na área afetada.
Especialistas em segurança internacional avaliam essa ofensiva em território venezuelano como parte de uma estratégia mais ampla de pressão sobre o governo de Nicolás Maduro, ancorada na retórica de combate a cartéis. Desde setembro, ao menos 33 ataques contra embarcações foram registrados em rotas no Caribe e no Pacífico Oriental, enquadrados pelo governo americano como parte de um “conflito armado” contra organizações criminosas transnacionais.
Por que o número de mortos e a falta de provas geram controvérsia?
O total de pelo menos 110 mortos em menos de quatro meses levantou questionamentos de parlamentares e entidades civis dentro e fora dos Estados Unidos. Uma das principais críticas é a ausência de provas públicas, como imagens, relatórios independentes ou identificação formal, que confirmem a vinculação das vítimas a cartéis ou grupos armados, dificultando a distinção entre combatentes e civis.
A polêmica se intensificou após um episódio em setembro, quando sobreviventes de um bombardeio anterior teriam sido mortos por militares americanos em circunstâncias ainda pouco esclarecidas. Especialistas em direito internacional classificaram o caso como potencial crime, enquanto o governo Trump insistiu na legalidade da ação, apoiando-se na narrativa de combate a narcoterroristas e na doutrina de guerra ao tráfico transnacional.
Que mudanças os EUA anunciam em sua postura militar?
Diante das críticas, as Forças Armadas dos EUA afirmam ter ajustado procedimentos para tornar as operações mais seguras e coordenadas com países da região. Mesmo assim, organizações de direitos humanos apontam que a manutenção do sigilo sobre regras de engajamento e relatórios de danos colaterais ainda impede uma avaliação independente da efetividade e da legalidade dos bombardeios.
Nesse contexto, o Exército Americano e o Comando Sul descrevem algumas linhas de ação prioritárias que, segundo eles, buscam responder às preocupações jurídicas, políticas e humanitárias levantadas por governos e sociedade civil:
- Reforço da cooperação regional: expansão da troca de informações de inteligência sobre rotas de tráfico, logística de cartéis e suspeitas de uso de portos e marinas para fins ilícitos.
- Ajustes em protocolos de engajamento: revisão de regras de ataque e identificação de alvos, com ênfase em minimizar riscos a tripulantes que se rendam ou abandonem as embarcações.
- Ampliação de operações de busca e salvamento: acionamento mais rápido da Guarda Costeira após bombardeios, para localizar sobreviventes, preservar provas e registrar eventuais danos colaterais.
FAQ sobre os bombardeios dos EUA
- Quantos ataques contra embarcações foram realizados desde setembro? Foram registrados ao menos 33 ataques conhecidos contra barcos em rotas de possível narcotráfico desde o início de setembro.
- Quantas pessoas morreram nessas operações até agora? O número estimado de mortos chega a pelo menos 110, somando as diferentes ofensivas navais realizadas no período.
- As autoridades americanas divulgam a identidade das vítimas? Até o momento, não há divulgação sistemática de nomes, nacionalidades ou vínculos formais das pessoas mortas com cartéis de drogas.
- Esses bombardeios são considerados atos de guerra? O governo dos EUA descreve as ações como parte de um “conflito armado” contra cartéis, mas o enquadramento jurídico internacional ainda é objeto de intenso debate entre especialistas em direito internacional e direitos humanos.