A recente sanção da Lei Complementar 213/2025 (Marco Legal da Proteção Veicular) representa um divisor de águas no mercado automotivo brasileiro. Antes operando em uma “zona cinzenta”, essas entidades agora passam a ser fiscalizadas pela Susep. Na prática, isso significa sair da informalidade para um ambiente de regras claras, visando proteger o patrimônio de milhões de motoristas.
Como funciona a Proteção Veicular (e como ela difere do seguro)?
Para entender o impacto da lei, é fundamental compreender a mecânica financeira desse modelo. Diferente das seguradoras, que cobram um prêmio fixo baseado no risco individual, as associações funcionam baseadas no mutualismo e rateio.
Na proteção veicular, os prejuízos (roubos, colisões) de um mês são somados e divididos entre todos os associados no mês seguinte. Você não transfere o risco para uma empresa; você divide o risco com um grupo.
O que muda na prática com a nova legislação?
A nova lei impõe barreiras de entrada rigorosas para garantir a saúde financeira das associações, eliminando aventureiros do mercado. As principais exigências para que uma cooperativa possa operar legalmente incluem:
- Gestão Financeira Externa: O dinheiro do fundo de proteção não fica mais sob controle direto da diretoria da associação, devendo ser gerido por administradoras independentes.
- Solvência Comprovada: As entidades precisam manter reservas técnicas auditáveis (dinheiro em caixa) para cobrir sinistros de grande impacto, evitando a falência em momentos de crise.
- Fiscalização Ativa: A Susep agora tem poder de punir, multar e encerrar as atividades de associações que não cumprirem as normas de transparência.
Isso vai deixar a proteção mais cara ou mais barata?
Analistas de mercado preveem um cenário de estabilização. A curto prazo, as mensalidades das associações podem passar por pequenos ajustes para cobrir os custos da profissionalização obrigatória. No entanto, a tendência futura aponta benefícios ao consumidor:
- Estímulo à Concorrência: Com as associações legalizadas, cria-se uma pressão natural para que seguradoras tradicionais desenvolvam produtos mais acessíveis.
- Segurança Jurídica: O consumidor ganha garantias reais de recebimento da indenização, o que tende a atrair mais pessoas para o sistema e diluir os custos do rateio entre mais participantes.
- Inclusão: Carros mais antigos ou perfis de motoristas recusados pelo mercado tradicional consolidam uma alternativa regulada e segura.
Vale a pena contratar proteção veicular agora?
Com o novo cenário, a proteção veicular deixa de ser uma aposta no escuro para se tornar uma alternativa viável, desde que a associação escolhida esteja em conformidade com as novas regras da Lei Complementar. O modelo segue sendo atrativo para quem busca custos mensais menores e prioriza a proteção patrimonial básica.
Contudo, é crucial observar o período de adaptação do mercado. Nem todas as entidades conseguirão atender às exigências de solvência e gestão profissional impostas pela Susep. Por isso, a recomendação é verificar se a associação já possui registro provisório ou se demonstra transparência em seus balanços financeiros.