No terceiro dia de uma caminhada de 240 quilômetros entre Paracatu (MG) e Brasília (DF), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) intensificou o tom político e jurídico das mensagens divulgadas em suas redes sociais. A jornada, marcada por falas em defesa de presos dos atos de 8 de janeiro, passou a incluir referências diretas a figuras centrais da direita, como o ex-deputado Daniel Silveira e o ex-presidente Jair Bolsonaro, associando o esforço físico da marcha à defesa da liberdade de expressão e à revisão de decisões judiciais.
Como Nikolas Ferreira conecta a caminhada à defesa de aliados políticos?
Nos dias anteriores, Nikolas já havia mencionado nomes como Debora Rodrigues e o coronel Naime, apontados por ele como exemplos de rigor excessivo na resposta aos atos de invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023. A partir do terceiro dia, porém, a caminhada ganha novo foco simbólico, com a lembrança de Daniel Silveira e a vinculação do trajeto à situação jurídica de Jair Bolsonaro, defendendo prisão domiciliar para o ex-presidente.
Ao completar cerca de 80 quilômetros, o parlamentar reforça a narrativa de que a marcha não é apenas um ato de fé ou resistência física, mas uma manifestação política planejada para repercutir nas redes. Assim, ele busca transformar o percurso em um símbolo de contestação às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e de solidariedade a apoiadores que, em sua visão, teriam sido punidos de forma desproporcional pelos eventos de 8 de janeiro. Veja o vídeo:
3º dia finalizado. Estamos chegando, Brasília! pic.twitter.com/QlR8RWrO6W
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) January 21, 2026
Qual é a controvérsia sobre Daniel Silveira e a imunidade parlamentar?
Ao citar Daniel Silveira, Nikolas Ferreira afirma que o ex-deputado teria sido “o primeiro a ser preso por opinião contra o STF”, mesmo no exercício do mandato e protegido pelo artigo 53 da Constituição Federal, que trata da imunidade parlamentar. Em fevereiro de 2021, Silveira foi preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes, após publicar vídeo com ofensas a ministros do Supremo e defesa do AI-5, instrumento do regime militar que restringiu liberdades e cassou mandatos.
Silveira foi condenado pelo STF a oito anos e nove meses de prisão, e o então presidente Jair Bolsonaro concedeu a chamada graça constitucional, depois anulada pela Corte, reacendendo debates sobre separação de poderes. Em dezembro de 2024, Moraes concedeu liberdade condicional ao ex-deputado, mas nova ordem de prisão foi determinada dias depois por suposto descumprimento de horário de recolhimento, episódio que a defesa atribui a atendimento médico, o que reforça questionamentos sobre proporcionalidade das medidas.
Qual o objetivo da caminhada de Nikolas Ferreira?
Na avaliação expressa por Nikolas durante a caminhada, o percurso de 240 quilômetros assume caráter de manifestação política voltada à revisão do tratamento dado a Silveira e a outros investigados pelos atos de 8 de janeiro. Ele menciona ainda complicações graves de saúde relatadas pela defesa do ex-deputado, argumentando que o quadro justificaria medidas alternativas de cumprimento de pena, como regimes menos rígidos ou monitoração eletrônica.
Esse enquadramento transforma a caminhada em um protesto de longa duração, planejado para repercutir digitalmente, mobilizar apoiadores e fortalecer sua imagem como porta-voz de críticas ao STF. Entre os objetivos simbólicos apresentados por Nikolas, destacam-se:
- Questionar o que classifica como punições desproporcionais aplicadas a aliados políticos;
- Apontar supostas violações à liberdade de opinião e à imunidade parlamentar;
- Pressionar por revisão de decisões judiciais sobre Daniel Silveira e presos de 8 de janeiro;
- Projetar seu nome nacionalmente em um cenário de pré-disputa eleitoral.
Por que Nikolas Ferreira defende prisão domiciliar para Jair Bolsonaro?
Ao atingir cerca de 90 quilômetros, Nikolas passa a focar mais diretamente na situação de Jair Bolsonaro, sustentando que o ex-presidente teria recebido tratamento mais severo que o de traficantes e condenados por crimes graves. Ele afirma que o “suposto golpe” que levou Bolsonaro à prisão não teria se materializado e usa a expressão “crime impossível”, comparando o caso a “tentar envenenar alguém com água potável”, para argumentar pela desproporcionalidade das acusações.
Segundo o deputado, um golpe de Estado exigiria uso de armas e organização concreta para derrubar o governo, elementos que ele alega não estarem presentes nas investigações atuais. Ao lembrar que depredações ao patrimônio público têm pena máxima de três anos, Nikolas aponta que parte dos envolvidos segue presa além desse período e, nesse contexto, apresenta a prisão domiciliar para Bolsonaro como “um passo para sua liberdade” e para maior convivência familiar, citando o caso de Sérgio Cabral para ilustrar o que considera desequilíbrios nas decisões judiciais. A caminhada entre Paracatu e Brasília funciona também como estratégia de comunicação contínua, na qual a cada marco de distância Nikolas grava vídeos, reforça o discurso e insere novos personagens, como presos de 8 de janeiro, Daniel Silveira e Jair Bolsonaro. Com isso, o tema se mantém em circulação nas redes, amplia o alcance entre eleitores conservadores e consolida o deputado como uma das principais vozes de oposição ao STF e às decisões sobre a direita brasileira.