Uma proposta legislativa reacendeu o debate sobre o futuro dos transportes no Brasil. O texto sugere encerrar a venda de veículos movidos a combustíveis fósseis em 2030, mas preserva opções essenciais para a nossa realidade.
O que diz o projeto que tramita no Senado?
O Projeto de Lei do Senado (PLS) 304/2017, atualmente na Comissão de Meio Ambiente (CMA), estabelece um cronograma para substituir a frota nacional. O objetivo é proibir a venda de carros novos movidos a gasolina e diesel a partir de 2030.
O grande diferencial do texto atual é a proteção aos biocombustíveis. Ao contrário do que ocorre na Europa, o projeto brasileiro permite a continuidade de motores a combustão, desde que rodem exclusivamente com etanol ou outros combustíveis renováveis.
Carros atuais serão proibidos de circular em 2040?
O ponto mais polêmico do texto envolve a circulação. A proposta prevê que, a partir de 2040, veículos a gasolina e diesel deixem de transitar nas vias públicas. No entanto, a regra traz exceções importantes para proteger patrimônios históricos e diplomáticos.
Pelo texto, estariam livres do banimento de circulação:
- Automóveis de coleção (placa preta) e carros antigos originais.
- Veículos oficiais e diplomáticos.
- Carros de visitantes estrangeiros em trânsito temporário.
A infraestrutura do Brasil suporta essa mudança?
A viabilidade da lei depende de dois pilares: eletricidade e etanol. O Brasil possui uma vantagem estratégica com sua rede de mais de 40 mil postos de combustíveis já adaptados para o etanol, garantindo abastecimento em qualquer cidade.
No front elétrico, o crescimento é acelerado. Dados da ABVE apontam que o país já conta com cerca de 16,8 mil pontos de recarga públicos, reduzindo a ansiedade de autonomia para quem aposta nos plug-ins, embora a concentração no Sudeste ainda seja um desafio.
Vale a pena comprar carro a combustão hoje?
Com o projeto aguardando audiência pública desde abril de 2025, o consumidor deve ter cautela, mas não pânico. O mercado tende a se ajustar naturalmente antes de qualquer obrigatoriedade.
Para quem busca segurança na revenda futura, os modelos flex (que aceitam etanol) e os híbridos surgem como as opções mais resilientes, pois escapariam das restrições tanto de venda (2030) quanto de circulação (2040).