O ex-presidente Jair Bolsonaro passou por nova avaliação médica nesta terça-feira (6/1), em Brasília, após sofrer um traumatismo cranioencefálico leve dentro da Superintendência da Polícia Federal (PF), onde cumpre pena. A queda ocorreu durante a madrugada, em uma sala especial destinada à sua custódia, e reacendeu a atenção sobre o estado de saúde do ex-presidente, que recentemente havia recebido alta hospitalar após uma cirurgia.
O que é traumatismo craniano leve?
O termo traumatismo craniano leve descreve um impacto na cabeça que provoca lesões pequenas ou alterações transitórias, geralmente sem perda prolongada de consciência ou sequelas imediatas. No caso de Bolsonaro, o médico Cláudio Birolini explicou que a queda ocorreu dentro da unidade da Polícia Federal e resultou em um traumatismo leve, o que motivou atenção redobrada da equipe.
Birolini ressaltou que, considerando a situação atual de Bolsonaro, quedas com batida de cabeça estão entre as principais preocupações médicas, sobretudo pelo histórico recente de cirurgias e internações. A avaliação no hospital DF Star deve incluir exames de imagem e monitoramento de sinais neurológicos, prática comum para descartar complicações silenciosas mesmo em quadros inicialmente estáveis.
O que se sabe até agora sobre o traumatismo em Bolsonaro?
A Polícia Federal informou que Bolsonaro relatou pela manhã ter sofrido uma queda durante a madrugada, após uma crise de soluços enquanto dormia. Segundo a corporação, o médico da PF identificou apenas ferimentos leves e recomendou observação no local, lembrando que eventual remoção hospitalar depende de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).
A família, porém, apresentou versão mais preocupante: Michelle Bolsonaro relatou que ele bateu a cabeça em um móvel e teve sintomas que geraram apreensão, enquanto Carlos Bolsonaro disse ter encontrado o pai atordoado, com hematoma no rosto e sangramento nos pés. A divergência entre o relato familiar e o da PF ampliou o interesse público sobre as condições de custódia e a prontidão do atendimento médico ao ex-presidente.
Qual o estado de saúde de Bolsonaro?
O episódio do traumatismo cranioencefálico leve ocorreu poucos dias após a alta do hospital DF Star, onde Bolsonaro ficou internado por nove dias após cirurgia de hérnia inguinal bilateral. Durante essa internação, também foi submetido a bloqueio do nervo frênico para tentar controlar crises persistentes de soluços, associadas às sequelas da facada de 2018.
Após o retorno à Superintendência da PF, aliados relataram melhora das crises de soluços, mas queixas de dificuldades para dormir, atribuídas ao barulho constante do ar-condicionado da sala de custódia, foram levadas ao STF. Nesse contexto, qualquer alteração de saúde, mesmo classificada como leve, passa a ter impacto médico, jurídico e político, exigindo decisões rápidas sobre deslocamentos, monitoramento e eventual adequação do ambiente carcerário.
Como os médicos reagiram?
Além da equipe da PF, o cardiologista Brasil Ramos Caiado, que acompanha Bolsonaro, foi acionado e se deslocou até a superintendência para avaliação clínica antes de eventual ida ao hospital. No DF Star, a expectativa é de realização de tomografia e outros exames de imagem para checar se houve alguma lesão interna discreta, seguindo protocolos adotados para pacientes com quadro clínico complexo e cirurgias recentes.
Segundo nota da Polícia Federal, o quadro inicial indicava apenas necessidade de observação, sem sinais imediatos de gravidade, mas a idade, o histórico cirúrgico e a condição de preso sob custódia federal justificam vigilância intensiva. A determinação do STF sobre remoções hospitalares e o parecer de especialistas externos são considerados centrais para definir eventuais mudanças no regime de acompanhamento de saúde.