A suspensão de um lote específico do Chocolate Branco Laka e a interdição de produtos de glitter para confeitaria levantaram dúvidas sobre segurança alimentar e rotulagem no Brasil. As medidas foram determinadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após comunicação da própria indústria e avaliação dos riscos para consumidores, principalmente pessoas com restrições alimentares e condições de saúde sensíveis.
O que aconteceu com o chocolate branco Laka e qual foi a falha identificada?
O lote CC28525493 do Chocolate Branco Laka, fabricado pela Mondelez Brasil Ltda, foi alvo de recolhimento e teve sua comercialização, distribuição, divulgação e consumo suspensos. A empresa identificou que unidades do produto Laka Oreo foram embaladas com o rótulo do Chocolate Branco Laka tradicional, gerando divergência entre o conteúdo e as informações da embalagem.
Essa falha técnica afeta diretamente a rotulagem de ingredientes e alergênicos, pois a lista de componentes não corresponde ao que está sendo ingerido. Entre essas informações está a declaração da presença de glúten, cuja ausência, quando obrigatória, caracteriza risco sanitário para grupos específicos e configura infração às normas de rotulagem da Anvisa.
Por que a rotulagem incorreta representa risco à saúde do consumidor?
A rotulagem de alimentos é uma das principais ferramentas de segurança para pessoas com alergias alimentares, intolerâncias ou doenças crônicas, como a doença celíaca. No caso do lote do Chocolate Branco Laka, a ausência da indicação correta de glúten impede o consumidor de avaliar se o produto é adequado à sua condição de saúde, comprometendo escolhas seguras.
Quando a embalagem não corresponde ao conteúdo, há risco de ingestão de substâncias que deveriam ser evitadas, como trigo, cevada ou centeio, comuns em versões com biscoito. Esse tipo de falha é classificado como erro de rotulagem crítico, com potencial de causar reações adversas e perda de confiança nas informações impressas nos rótulos.
Confira em seguida os riscos:
Quem pode ser afetado (e por quê isso importa)
Doença celíaca
Consumidores com doença celíaca podem ter sintomas gastrointestinais e complicações crônicas.
🚨 Grupo de maior riscoAlergia ao glúten / ingredientes
Pessoas com alergia ao glúten ou a ingredientes de biscoito podem apresentar reações alérgicas.
⚠️ Pode exigir atendimentoConfiança pública
Há impacto na confiança pública em relação à precisão das informações de rotulagem.
📌 Reforça fiscalizaçãoComo funciona o recall de alimentos e o que o consumidor deve fazer?
O recolhimento de um lote, conhecido como recall de alimentos, é adotado quando se identifica risco à saúde ou irregularidade relevante em produtos já no mercado. No episódio do Chocolate Branco Laka, a própria fabricante comunicou a situação e iniciou a retirada, enquanto a Anvisa reforçou a suspensão da comercialização e do consumo do lote afetado.
Quando um recall é anunciado, o consumidor deve verificar o número do lote na embalagem, interromper o consumo se houver correspondência com o lote notificado e buscar os canais de atendimento da empresa. Nesses canais, são informados procedimentos para troca, reembolso ou descarte adequado, além de orientações adicionais de segurança alimentar.
Por que o glitter culinário da Flex Fest foi considerado impróprio para consumo?
A Anvisa determinou o recolhimento do Glitter e do Glitter Holográfico da marca Flex Fest, fabricados pela AP Viola Artes e Festas Ltda, e suspendeu sua fabricação e venda. O motivo é a presença de materiais plásticos em sua composição, o que torna esses itens inadequados para uso em alimentos destinados à ingestão.
Embora esses produtos sejam frequentemente vistos em bolos e doces de festa, sua classificação técnica não é a de ingrediente alimentício. A ingestão de partículas plásticas, mesmo em pequenas quantidades, não é considerada segura, sobretudo na ausência de regulamentação específica que garanta sua inocuidade para consumo humano.
Como identificar produtos seguros para decoração de alimentos?
A decisão sobre o glitter culinário reforça a necessidade de atenção na escolha de itens usados em confeitaria, principalmente em festas infantis. A recomendação é priorizar produtos claramente indicados como próprios para consumo, com rotulagem adequada e, quando exigido, registro em órgão competente para uso alimentar.
Ao avaliar um produto para decoração de alimentos, alguns pontos ajudam a reduzir riscos e a garantir a segurança nas preparações. Esses cuidados permitem diferenciar itens meramente decorativos de produtos realmente comestíveis e autorizados para contato direto com alimentos.
- Checar se o rótulo informa explicitamente que o produto é comestível ou de uso alimentar.
- Verificar a presença de informações obrigatórias, como lista de ingredientes e dados do fabricante.
- Evitar itens identificados apenas como “decorativos”, “artesanais” ou “para artesanato” quando houver possibilidade de ingestão.
- Acompanhar resoluções da Anvisa e publicações oficiais sobre produtos autorizados ou suspensos.