O ex-presidente Jair Bolsonaro foi autorizado a sair temporariamente da cela na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para realizar uma série de exames médicos nesta quarta-feira (7/1). A decisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após relato de queda ocorrida durante a madrugada de terça (6/1), quando Bolsonaro teria batido a cabeça em um móvel, gerando ferimentos na cabeça e sintomas que levantaram suspeita de possível comprometimento neurológico.
Por que Bolsonaro foi encaminhado ao hospital?
A principal preocupação dos médicos em casos de trauma na cabeça é a possibilidade de lesões internas que não aparecem de imediato. Após a queda, Bolsonaro apresentou apatia, tontura e queda da pálpebra esquerda, sinais que exigem investigação rápida em ambiente hospitalar para descartar danos neurológicos.
Em situações semelhantes, é comum solicitar exames de imagem e testes funcionais para avaliar o sistema nervoso central. A autorização de Moraes para levá-lo a um hospital de Brasília segue esse protocolo, permitindo documentar o estado clínico do paciente e orientar condutas futuras em ambiente controlado e sob registro técnico.
Quais são os exames médicos indicados para Bolsonaro?
No hospital, Bolsonaro deve passar por exames voltados à investigação de possíveis lesões neurológicas, tanto estruturais quanto funcionais. A tomografia computadorizada, a ressonância magnética do crânio e o eletroencefalograma foram priorizados para oferecer uma avaliação ampla do cérebro.
Esses exames se complementam ao analisar a anatomia e o funcionamento elétrico cerebral, permitindo identificar fraturas, sangramentos, edemas e alterações nas ondas cerebrais. A seguir, estão os principais exames previstos e o objetivo de cada um:
- Tomografia computadorizada da cabeça: utiliza raios X em cortes da região craniana, identificando fraturas, sangramentos e inchaços. É rápida e fundamental em decisões médicas de curto prazo em traumas.
- Ressonância magnética do crânio: usa campos magnéticos e ondas de rádio para produzir imagens detalhadas do cérebro e tecidos adjacentes, permitindo avaliar estruturas profundas e lesões mais sutis.
- Eletroencefalograma (EEG): registra a atividade elétrica cerebral por meio de eletrodos no couro cabeludo, buscando alterações que indiquem irritação cortical, risco de convulsões ou outros distúrbios funcionais.
Quais os próximos passos para Bolsonaro?
Segundo a autorização judicial, após a realização da tomografia, da ressonância magnética e do eletroencefalograma, Bolsonaro deve retornar à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. A internação só é prevista se os exames apontarem alterações relevantes ou se houver agravamento do quadro clínico durante o atendimento.
Em protocolos médicos para trauma craniano, os resultados podem levar desde à simples observação até à necessidade de intervenção intensiva. Pequenas alterações podem exigir monitorização ambulatorial, enquanto achados mais graves, como sangramentos ou edema importante, podem demandar internação, tratamento intensivo ou, em casos extremos, procedimento cirúrgico acompanhado de acompanhamento neurológico contínuo.
Como a Justiça acompanha o caso?
Quando uma pessoa sob custódia apresenta problemas de saúde, o protocolo envolve comunicação imediata às autoridades e, em casos mais graves, pedido de autorização judicial para remoção ao hospital. No caso de Bolsonaro, o pedido para realizar exames médicos em hospital foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator de processos envolvendo o ex-presidente no STF.
Esse tipo de autorização tenta conciliar a integridade física do preso com o cumprimento das decisões judiciais, sempre com escolta e regras de segurança definidas pela Polícia Federal. Os laudos médicos passam a integrar o processo, servindo de registro oficial do estado de saúde e permitindo o acompanhamento por defesa, acusação e autoridades responsáveis pela custódia.