A permanência de Ricardo Lewandowski à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública está por um fio. De acordo com interlocutores do governo, a oficialização da saída deve ocorrer na próxima quinta-feira (8/1). Desde o fim do ano, o ministro vem dialogando com assessores sobre a decisão de deixar o comando da pasta nos próximos dias.
O que está em jogo na saída de Lewandowski do Ministério da Justiça?
Segundo informações da CNN, interlocutores relatam que o ministro vinha amadurecendo a decisão, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentava convencê-lo a permanecer no cargo.
A mudança abre espaço para uma reconfiguração ampla da área, com impacto nas políticas de combate ao crime organizado, coordenação com os Estados e desenho institucional da segurança pública. A expectativa é que o comando da pasta possa ficar, de forma interina, com o secretário executivo Manoel Carlos de Almeida Neto, garantindo continuidade administrativa.
Por que Lewandowski decidiu sair agora do Ministério da Justiça?
Nos bastidores, aliados avaliam que a decisão de Lewandowski de deixar o Ministério da Justiça foi influenciada por fatores políticos e institucionais. Um dos pontos centrais é a tramitação da PEC da Segurança Pública, inicialmente vista como marco para sua permanência à frente da pasta.
Com o avanço das negociações no Congresso, auxiliares passaram a considerar que a PEC foi desfigurada em relação ao desenho original, perdendo o eixo de coordenação nacional pela União. Diante disso, a equipe ponderou que não faria sentido condicionar a permanência do ministro ao desfecho de uma proposta que já não refletia o projeto inicial de política de segurança do governo federal.
Ministério da Justiça será desmembrado?
Uma das principais dúvidas no governo é se a saída de Lewandowski do Ministério da Justiça será acompanhada do desmembramento da pasta. Ganha força a proposta de recriar o Ministério da Segurança Pública, separado da estrutura atual, que hoje acumula Justiça e Segurança Pública sob o mesmo guarda-chuva.
Fontes do governo relatam que há dois caminhos principais em análise, cada um com implicações políticas, orçamentárias e administrativas:
- Criar o Ministério da Segurança Pública agora, aproveitando a mudança de ministro para rearranjar cargos, orçamento e competências;
- Manter a estrutura atual no curto prazo e tratar o desmembramento como compromisso político futuro, possivelmente em uma reforma administrativa mais ampla.
Como pode ficar a equipe após a saída de Lewandowski?
A saída de Lewandowski do Ministério da Justiça tende a abrir espaço para uma reformulação quase completa da cúpula da pasta. Secretários indicam que o movimento coletivo de auxiliares, muitos com planos eleitorais para 2026, favorece uma remodelação mais ampla, e não apenas a troca do titular.
Para o governo, uma transição organizada é vista como forma de preservar programas prioritários em áreas como combate ao crime organizado, segurança nas fronteiras e políticas penitenciárias. A indicação de um interino permitirá calibrar o ritmo das substituições e avaliar se o eventual Ministério da Segurança Pública será criado já nesta fase.