O rompimento de relações entre Israel e sete agências ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU), anunciado nesta terça-feira (13/1), marca um novo capítulo na já tensa relação entre o governo israelense e organismos multilaterais, em especial no campo dos direitos humanos e da atuação em conflitos armados, sendo apresentado como resposta a decisões e relatórios considerados desfavoráveis por autoridades israelenses.
Como Israel redefine sua política externa?
Segundo o chanceler Gideon Sa’ar, a decisão segue uma “avaliação do cenário internacional” e leva em conta mudanças recentes na postura dos Estados Unidos em relação a organismos multilaterais. O governo afirma que não é um gesto isolado, mas parte de uma reconfiguração mais ampla das relações com instituições vistas como críticas à política de segurança e de ocupação de Israel.
A expressão “Israel rompe relações com sete agências ligadas à ONU“ resume uma decisão que atinge áreas como direitos das mulheres, direitos das crianças, comércio, migração e energia. Analistas apontam que o movimento busca reforçar a soberania israelense frente à ONU, ainda que com o custo de maior isolamento em alguns fóruns multilaterais.
Quais agências da ONU foram afetadas pela decisão de Israel?
Entre as entidades afetadas estão a ONU Mulheres, a Aliança de Civilizações da ONU, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e a Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental (ESCWA). Também foram incluídos o Escritório do Representante Especial do Secretário-Geral para Crianças e Conflitos Armados, a ONU Energia e o Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento.
O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o país “cortará imediatamente todo contato” com essas entidades, interrompendo canais formais de diálogo e cooperação técnica. Na prática, relatórios, missões, consultas e projetos conjuntos tendem a ser suspensos ou profundamente reduzidos, com impacto na presença operacional da ONU na região.
Por que Israel decidiu cortar laços com essas organizações?
O governo de Israel associou cada ruptura a motivos específicos, citando parcialidade e decisões consideradas politicamente motivadas. No caso do Escritório para Crianças e Conflitos Armados, a medida respondeu diretamente à inclusão de Israel, em 2024, na lista de países acusados de “violações muito graves” dos direitos de crianças em conflitos armados.
Em relação à ONU Mulheres, Israel acusa a entidade de ignorar denúncias de violência sexual supostamente cometida por integrantes do Hamas durante os ataques de 7 de outubro de 2023. A UNCTAD e a ESCWA são apontadas como difusoras de “relatórios anti-israelenses” recorrentes, enquanto o Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento é criticado por supostamente “minar” a autonomia de países em políticas migratórias.
Como o embate entre Israel e a UNRWA intensifica a crise com a ONU?
O anúncio de que Israel rompe relações com sete agências ligadas à ONU ocorre após a reforma legal aprovada em 30 de dezembro de 2025, que declarou ilegal no país a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA). Com essa lei, a agência perdeu imunidade em território israelense, teve bens embargados e instalações expropriadas em Jerusalém Oriental.
Dias antes da aprovação, policiais israelenses e funcionários municipais já haviam entrado na sede da UNRWA, substituindo a bandeira da ONU pela de Israel. O governo também impôs restrições adicionais, como proibição de serviços de telecomunicações e bloqueio de operações financeiras, o que reduz drasticamente a capacidade da agência de atuar com refugiados palestinos.
Quais possíveis efeitos futuros da decisão de Israel?
O Ministério das Relações Exteriores informou que outras organizações internacionais ainda estão sob análise, indicando possível ampliação do afastamento de parte relevante da estrutura multilateral ligada à ONU. Ao mesmo tempo, Israel tenta fortalecer alianças bilaterais estratégicas, especialmente com países que compartilham críticas à atuação de certos órgãos da ONU.
Nesse cenário, diferentes atores internacionais avaliam riscos e desdobramentos da medida, particularmente em direitos humanos, assistência humanitária e governança global. Entre os pontos mais observados estão:
- Possível redução de programas de desenvolvimento e monitoramento em Israel e nos territórios palestinos.
- Maior debate sobre neutralidade, metodologia e credibilidade de relatórios das agências da ONU.
- Dificuldades operacionais para acesso, coleta de dados e implementação de projetos em áreas sob controle israelense.
- Intensificação de discussões sobre limites da soberania estatal e proteção de civis em zonas de conflito.