A atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em relação a insumos farmacêuticos e medicamentos manipulados vem ganhando destaque nos últimos anos, especialmente diante do crescimento das vendas on-line e do interesse por substâncias com efeito anabolizante e hormonal, o que reacende o debate sobre segurança sanitária, responsabilidades no setor farmacêutico e necessidade de maior controle sobre o comércio de produtos de risco.
Por que estanozolol e prasterona foram proibidos pela Anvisa?
No caso analisado pela Anvisa, a empresa Formus Magistral Comércio de Insumos Farmacêuticos Ltda. importou estanozolol e prasterona sem cumprir os requisitos regulatórios vigentes, o que levantou suspeitas sobre possível destinação inadequada desses insumos.
O estanozolol é conhecido por seu efeito anabólico e é classificado como substância sujeita a controle especial, enquanto a prasterona (dehidroepiandrosterona – DHEA) atua como precursor de outros esteroides. A Anvisa determinou a proibição de armazenamento, venda, distribuição, importação, manipulação e uso desses insumos vinculados à empresa autuada, enviando ao mercado um sinal claro de rigor em relação a produtos com perfil anabolizante ou hormonal.
Quais são os riscos do uso de anabolizantes sem controle adequado?
O uso de anabolizantes e hormônios sem orientação profissional envolve diferentes tipos de ameaça à saúde e costuma ser associado a ganho de massa muscular, melhora estética ou desempenho físico. No entanto, essas substâncias podem causar alterações significativas no fígado, no sistema cardiovascular, na função hormonal e no equilíbrio emocional, muitas vezes de forma silenciosa e cumulativa.
Entre os riscos mais mencionados no uso inadequado de anabolizantes e hormônios estão efeitos graves, que variam conforme dose, tempo de uso e condição clínica do usuário:
- Sobrecarrega do fígado, com possibilidade de hepatite medicamentosa e outros danos hepáticos;
- Aumento da pressão arterial e maior probabilidade de eventos cardiovasculares;
- Alterações hormonais, como desequilíbrio de testosterona, estrogênio e outros esteroides;
- Efeitos dermatológicos, incluindo acne severa e queda de cabelo em alguns casos;
- Impactos psíquicos, como oscilações de humor, irritabilidade e alterações de comportamento.
Por que medicamentos manipulados exigem prescrição médica obrigatória?
Um ponto central da fiscalização da Anvisa foi a suspensão das atividades relacionadas à Drogaria Farma Vida de Janaúba Ltda., que divulgava e comercializava medicamentos manipulados on-line sem exigir receita médica. Essa prática contraria o Regulamento Técnico de Boas Práticas de Manipulação em Farmácias (BPMF), estabelecido pela Resolução RDC 67/2007, cujo item 5.14 exige prescrição adequada e registro de dados do paciente e do profissional responsável.
Medicamentos manipulados são preparados sob medida conforme a necessidade de cada paciente, o que exige avaliação individualizada de dose, associações de substâncias e histórico de saúde. Sem prescrição, aumenta o risco de consumo de compostos inadequados, repetição de tratamentos sem reavaliação periódica e uso de anabolizantes ou moduladores hormonais sem controle, inclusive por meio de vendas facilitadas em ambiente virtual.
Como a fiscalização da Anvisa impacta farmácias e consumidores no Brasil?
As ações de controle sobre anabolizantes, hormônios e medicamentos manipulados geram reflexos diretos no setor farmacêutico e no público consumidor. Para as empresas, a fiscalização reforça a necessidade de manter documentação de importação regularizada, seguir protocolos de Boas Práticas de Manipulação e adotar critérios rígidos na divulgação on-line, com atenção especial a medicamentos de prescrição obrigatória.
Para consumidores e pacientes, o principal efeito é maior proteção contra o acesso facilitado a medicamentos que podem causar danos quando utilizados de forma inadequada ou sem acompanhamento profissional. Em um cenário de busca crescente por resultados rápidos em estética, desempenho físico e bem-estar, a atuação regulatória da Anvisa torna-se peça-chave para equilibrar acesso a tratamentos, segurança sanitária e prevenção de eventos adversos relacionados a anabolizantes e outros compostos hormonais.
