O anúncio da criação de novas bolsas estudantis para cursos de medicina reforça uma estratégia recente de combate à evasão no ensino superior entre jovens em situação de vulnerabilidade social. A partir de 2026, estudantes de graduação em medicina, tanto de universidades federais quanto de instituições privadas participantes do Programa Mais Médicos, passam a contar com um novo apoio financeiro voltado à permanência nos estudos, formalizado pela Portaria nº 655/2025, publicada pelo Ministério da Educação (MEC) em setembro de 2025.
O que é o Programa Bolsa Permanência em Medicina?
O Programa Bolsa Permanência em Medicina é uma política de assistência estudantil voltada especificamente a estudantes de medicina vinculados ao Mais Médicos, buscando apoiar a permanência de jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Ele complementa outras ações já existentes, como as bolsas destinadas a estudantes indígenas e quilombolas, ampliando o alcance da política de inclusão no ensino superior.
No novo desenho, o programa contempla graduandos em medicina de instituições federais e de instituições privadas participantes da política de interiorização da saúde. O valor mensal previsto é de R$ 700 por estudante, com 1.500 novas bolsas programadas para o início de 2026 e pagamento custeado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), totalizando cerca de R$ 12,6 milhões ao ano.
Quais estudantes podem receber a Bolsa Permanência em Medicina?
Os critérios do Programa Bolsa Permanência em Medicina priorizam estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica, estabelecendo que a renda bruta familiar por pessoa seja de até um salário mínimo e meio. Além disso, é obrigatório que o estudante esteja inscrito e com dados atualizados no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), principal base de identificação de famílias de baixa renda do governo federal.
Outras condições também orientam a seleção, garantindo que o benefício alcance quem realmente depende do apoio financeiro para concluir a graduação em um curso longo e de alta carga horária. Entre os requisitos adicionais estão matrícula ativa em curso de medicina e restrições quanto ao acúmulo com outros auxílios de mesma natureza.
- Ter matrícula ativa em curso de medicina em universidade federal ou instituição de ensino superior privada participante do Mais Médicos;
- Não ter concluído qualquer outro curso superior antes da graduação atual em medicina;
- Não ser beneficiário de outro tipo de Bolsa Permanência vinculada ao MEC.
Como serão feitas as inscrições e a seleção para a Bolsa Permanência?
A adesão das instituições de ensino superior ao Programa Bolsa Permanência em Medicina está prevista para outubro de 2025, etapa em que universidades federais e faculdades privadas do Mais Médicos formalizam sua participação. Em seguida, o MEC deve abrir o período de inscrições para estudantes que atendam aos critérios, com todas as datas e exigências detalhadas em edital próprio do ministério.
A seleção dos bolsistas ficará a cargo das instituições participantes, que publicarão editais internos com regras complementares, incluindo forma de classificação e critérios de desempate. O MEC orienta que os alunos acompanhem os canais oficiais de sua instituição para não perder prazos e se organizem com antecedência para reunir a documentação necessária.
- Aguardar a publicação do edital nacional do MEC com as regras gerais;
- Verificar se a instituição de ensino aderiu ao programa e consultar o edital local;
- Confirmar se os dados no CadÚnico estão atualizados e compatíveis com os requisitos de renda;
- Reunir documentos comprobatórios exigidos, como declaração de matrícula ativa e comprovantes de renda;
- Realizar a inscrição no sistema indicado pela instituição dentro do prazo definido;
- Acompanhar a divulgação de resultados e eventuais chamadas subsequentes.
Qual é o impacto esperado do Programa Bolsa Permanência em Medicina?
O Programa Bolsa Permanência em Medicina busca fortalecer a permanência de estudantes de baixa renda em um curso que exige dedicação integral e envolve custos indiretos elevados, como moradia, alimentação e transporte. Ao direcionar o benefício a instituições vinculadas ao Mais Médicos, a política também tende a estimular a formação de profissionais dispostos a atuar em regiões com menor oferta de médicos e maior vulnerabilidade social.
Especialistas em políticas educacionais apontam que iniciativas dessa natureza costumam reduzir a evasão e ampliar a diversidade social e étnica entre formandos em medicina. Com a combinação de foco em vulnerabilidade socioeconômica, uso do CadÚnico e seleção conduzida pelas instituições, o programa cria um filtro mais preciso para identificar quem precisa do auxílio, permitindo que os estudantes elegíveis planejem melhor sua trajetória até o diploma a partir de 2026.