A pré-candidatura de Gleisi Hoffmann ao Senado pelo Paraná reorganiza o tabuleiro político do estado em 2026 e reposiciona o Partido dos Trabalhadores na disputa por uma das cadeiras da Casa. Ministra das Relações Institucionais e deputada federal licenciada, Gleisi passa a ser o principal nome do governo federal na corrida paranaense, em um cenário já marcado pela presença de pré-candidatos alinhados à direita.
Qual é o papel de Gleisi Hoffmann na disputa ao Senado pelo Paraná?
Ao anunciar nesta quarta-feira (21/1) que pretende disputar a vaga, Gleisi declarou ter reafirmado com Lula o compromisso de fortalecer no estado o projeto político liderado pelo presidente.
Na prática, isso significa usar sua visibilidade nacional e sua condição de ministra para tentar construir uma base eleitoral mais sólida em um reduto historicamente adverso ao partido. Gleisi já comandou a Casa Civil, presidiu o PT nacionalmente e foi senadora pelo Paraná, o que amplia sua capacidade de articulação local e nacional. Veja o anúncio feito em suas redes sociais:
Com Lula, pelo Paraná e pelo Brasil! 🤝
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) January 21, 2026
Em conversa com o presidente @LulaOficial, com o @enioverri e o @edinhosilva, presidente do PT, reafirmei o meu compromisso de fortalecer, no Paraná, o projeto liderado pelo presidente Lula. Sou pré-candidata ao Senado Federal! pic.twitter.com/rLb8ewc2mq
Como ficou a situação de Enio Verri e qual é a estratégia do PT?
Enio Verri, diretor-geral de Itaipu e ex-deputado federal pelo Paraná, havia sido anunciado como pré-candidato ao Senado pelo PT. Após um pedido direto de Lula, ele abriu mão de disputar o cargo, relatando que o desenho inicial previa sua candidatura ao Senado e a de Gleisi à Câmara dos Deputados.
O arranjo foi revisado dias antes do anúncio público, com a definição de que “dessa vez quem disputa a eleição é a Gleisi”. Essa mudança indica uma tentativa de reforçar o palanque lulista no Paraná com uma figura de maior projeção nacional, preservando Verri em um posto estratégico em Itaipu, estatal central para a agenda de desenvolvimento regional:
- Antes: Verri ao Senado, Gleisi à Câmara.
- Depois: Gleisi ao Senado, Verri permanece em Itaipu.
- Objetivo: fortalecer o projeto do governo Lula no Paraná.
Qual o impacto da pré-candidatura de Gleisi Hoffmann ao Senado?
A entrada de Gleisi na disputa ocorre em um ambiente marcado por nomes identificados com a direita no estado, como Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL) e Cristina Graeml (União). O PT tem destacado que busca evitar uma “vitória dupla” de candidatos conservadores nas duas vagas em disputa ao Senado em 2026.
No campo eleitoral, a candidatura de Gleisi ao Senado pelo Paraná tende a estruturar um confronto direto entre o grupo de apoio a Lula e forças políticas que se consolidaram no estado nos últimos ciclos. A estratégia mira a unificação da esquerda, a polarização com a direita e o uso da visibilidade nacional para conectar a campanha às ações federais no Paraná.
Quais são os próximos passos para Gleisi Hoffmann?
Para que a pré-candidatura ao Senado se converta em candidatura oficial, Gleisi precisará cumprir o calendário eleitoral, incluindo a desincompatibilização do cargo de ministra até 4 de abril e a confirmação do nome nas convenções partidárias. Até lá, o PT deve intensificar articulações regionais, negociações de alianças e a definição de chapas para os demais cargos no estado.
No plano institucional, a saída de ministros candidatos abrirá espaço para uma recomposição política no governo federal, com impacto direto na relação do Planalto com o Congresso. No caso específico das Relações Institucionais, eventual substituição de Gleisi influenciará a condução de votações estratégicas e o equilíbrio de forças na Esplanada.