O governo federal divulgou nesta quinta-feira (8/1) duas portarias no Diário Oficial da União (DOU) relacionadas à atuação da Força Nacional em Roraima. As medidas tratam do uso do efetivo no estado, que faz fronteira com a Venezuela, na região Norte do Brasil.
Como será a atuação da Força Nacional na fronteira com a Venezuela?
A principal portaria, assinada pelo ministro da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, autoriza o emprego da Força Nacional em Boa Vista e Pacaraima pelo período de noventa dias. Os agentes atuarão em apoio aos órgãos de segurança pública de Roraima, em ações essenciais para a preservação da ordem pública, da integridade das pessoas e da proteção do patrimônio, em caráter “episódico e planejado”.
Na prática, o envio da Força Nacional reforça o policiamento ostensivo, o apoio logístico e as operações conjuntas com a polícia estadual e demais órgãos federais presentes na região. O documento não detalha o número de efetivos e equipamentos, mas registra que a atuação é temporária e poderá ser prorrogada, caso o governo federal considere necessário após nova avaliação.
Como Pacaraima se torna ponto estratégico na crise de fronteira?
Pacaraima é o município brasileiro que faz divisa direta com a Venezuela e, por isso, aparece com frequência em debates sobre fronteira, migração e segurança. Localizada a cerca de 220 km de Boa Vista, a cidade abriga aproximadamente 22 mil moradores, segundo o IBGE, e, com 920 metros de altitude, é considerada a cidade mais alta da Região Norte.
Desde sua criação em 1997, após desmembramento de Boa Vista, Pacaraima ganhou função estratégica, sobretudo com o aumento da migração venezuelana na última década. O posto fronteiriço, a presença de órgãos federais e a estrutura de acolhimento tornaram o local um ponto sensível para monitoramento de entrada de pessoas, mercadorias e veículos, impactando comércio, transporte e serviços públicos locais.
Como o governo coordena segurança e defesa civil?
Além do reforço policial, o governo federal prorrogou ações de Proteção e Defesa Civil em Boa Vista, indicando atenção a cenários de crise humanitária e pressão sobre a infraestrutura. A portaria assinada por Wolnei Wolff Barreiros, secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, estende até 17 de agosto o prazo para execução de medidas preventivas na capital.
Essas ações incluem planejamento para atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade, preparação de abrigos, coordenação com prefeituras e estados e apoio logístico em contextos de emergência. Boa Vista concentra serviços de saúde, acolhimento, regularização migratória e suporte administrativo, recebendo grande parte das pessoas que atravessam a fronteira por Pacaraima rumo ao interior do Brasil.
Quais as movimentações do lado venezuelano da fronteira?
Enquanto o Brasil ajusta sua estratégia de segurança interna, movimentos também foram registrados no território venezuelano. Houve deslocamento de militares da Venezuela na região de fronteira após a chegada do general Roberto Angrizani, comandante da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, em visita ao marco que sinaliza a linha divisória, acompanhado do general Viana Filho, chefe do Comando Militar do Amazonas.
Nessa visita, a fotojornalista Katarine Almeida registrou veículos oficiais venezuelanos equipados com metralhadoras e militares armados nas proximidades. As imagens reforçaram a percepção de aumento da atenção militar na área, e autoridades brasileiras acompanham o cenário à espera de novos comunicados oficiais sobre eventuais exercícios, operações específicas ou acordos bilaterais.