A relação entre sono profundo e risco de Alzheimer vem ganhando espaço nas pesquisas científicas. Um estudo recente conduzido nos Estados Unidos indica que não alcançar fases adequadas de descanso, especialmente o sono REM e o sono de ondas lentas, pode estar ligado à atrofia de áreas sensíveis do cérebro e ao aumento da probabilidade de desenvolver demência ao longo dos anos.
Como o sono profundo se relaciona ao risco de Alzheimer?
A investigação, liderada por especialistas da Universidade de Yale e publicada em junho de 2025 pela American Academy of Sleep Medicine, acompanhou a rotina de sono e a saúde cerebral de centenas de participantes por mais de uma década. Os resultados sugerem que a qualidade do repouso noturno pode atuar como um fator de risco modificável para o Alzheimer, abrindo espaço para mudanças de hábito como forma de proteção.
Segundo o estudo, a falta de sono profundo e de sono REM está associada à atrofia de regiões estratégicas na evolução do Alzheimer. Entre elas estão o hipocampo, a região entorrinal e a área parietal inferior, que participam de processos de memória, orientação espacial e raciocínio.
Como o estudo avaliou sono profundo e atrofia cerebral?
O estudo avaliou 270 voluntários, com noites monitoradas por polissonografia e acompanhamento de saúde ao longo de 13 anos. A média de sono de ondas lentas foi de 17,4% do tempo total dormido, enquanto o sono REM representou 21,5%, permitindo comparar o percentual de cada fase do sono com o volume de áreas específicas do cérebro.
Os resultados mostraram que o grupo com menor proporção de sono de ondas lentas apresentou volumes cerebrais menores. Na região parietal inferior, houve diferença de 44,18 milímetros cúbicos de atrofia para cada ponto percentual a menos de repouso profundo, e de 75,4 milímetros cúbicos para cada ponto percentual a menos de sono REM.
Quais são as principais limitações da pesquisa sobre sono e Alzheimer?
Embora o estudo traga indícios relevantes sobre o papel do sono profundo no risco de Alzheimer, há limitações importantes a considerar. A amostra analisada foi formada apenas por pessoas brancas, com alta escolaridade, o que reduz a possibilidade de generalizar os resultados para toda a população.
Outro ponto é que os dados são observacionais, mostrando associações, mas não causa e efeito. Ainda não é possível afirmar que dormir mal provoque diretamente o Alzheimer, mas sim que há relação consistente entre menos sono profundo, atrofia em regiões-chave e maior risco de demência.
Que hábitos podem ajudar a reduzir o risco de Alzheimer melhorando o sono?
Os autores destacam que o sono pode ser um fator de risco modificável para o Alzheimer. Assim como a insônia prolongada está ligada a maior probabilidade de demência, a melhora da qualidade do descanso tende a oferecer benefícios proporcionais para a saúde cerebral ao longo do envelhecimento.
Para favorecer o sono profundo e o sono REM, especialistas recomendam estratégias simples de higiene do sono, que podem ser adotadas em casa e ajustadas à rotina de cada pessoa:
- Manter horários regulares para dormir e acordar, inclusive nos fins de semana.
- Deixar o quarto em temperatura amena, silencioso e com pouca luminosidade.
- Evitar telas luminosas, como celular, tablet e televisão, nas horas anteriores ao sono.
- Reduzir o consumo de bebidas estimulantes, como café, chá preto, energéticos e refrigerantes à noite.
- Criar um ritual relaxante antes de deitar, como leitura leve, respiração profunda ou alongamentos suaves.