A repercussão da descarga elétrica que atingiu, neste domingo (25/1), manifestantes da Caminhada pela Liberdade, em Brasília, abriu um novo capítulo no debate público brasileiro sobre polarização política, segurança em atos de rua e responsabilidade nas redes sociais, ao evidenciar como tragédias podem ser rapidamente apropriadas em disputas ideológicas enquanto equipes de emergência ainda atendiam dezenas de feridos na Praça do Cruzeiro.
Como foi a Caminhada pela Liberdade e o incidente na Praça do Cruzeiro?
A Caminhada pela Liberdade é descrita por seus organizadores como um evento em defesa da liberdade de expressão e de agendas conservadoras. O ato marcou o fim de um percurso de cerca de 240 quilômetros, iniciado em Paracatu (MG), e levou milhares de pessoas à capital federal para o encerramento em Brasília.
A descarga elétrica ocorreu durante forte chuva na concentração final, na Praça do Cruzeiro, ponto tradicional de manifestações. Com a aproximação de nuvens carregadas e presença de estruturas metálicas, o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal determinou a evacuação imediata da área, orientando o afastamento de árvores, postes e alambrados. Veja o relato de Nikolas sobre o ocorido:
Para nossa alegria e tristeza de parte da imprensa, os atingidos pelo raio estão bem. pic.twitter.com/UBbSxn0zfS
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) January 25, 2026
Como a esquerda reagiu à descarga elétrica na Caminhada pela Liberdade?
Assim que surgiram as primeiras informações sobre o raio, perfis identificados com a esquerda publicaram piadas, deboches e referências a “resposta divina” ou “sinal do universo”.
Relatos apontam que não foram apenas comentários isolados, mas um volume de postagens que ironizavam os feridos e relativizavam a gravidade do episódio. Em algumas mensagens, os atingidos eram vistos como “responsáveis” pelo que aconteceu, apenas por participarem do ato ou apoiarem determinadas lideranças políticas.
Qual o estado de saúde dos feridos no incidente?
Conforme levantamento divulgado pela imprensa, pelo menos 30 pessoas precisaram de atendimento médico após o incidente, com cerca de dez em estado grave. Equipes de resgate relataram que cercas metálicas e guindastes podem ter contribuído para a atração e dispersão da descarga entre quem estava próximo.
Mesmo após a dispersão inicial, parte do público retornou ao local, buscando abrigo sob lonas enquanto aguardava a melhora do tempo. Hospitais da região registraram entrada de vítimas com queimaduras, parada cardiorrespiratória e quadros de choque, exigindo suporte intensivo e acompanhamento especializado.
Como a polarização política influenciou as reações nas redes sociais?
O episódio da descarga elétrica na Caminhada pela Liberdade mostrou como a polarização política molda reações a eventos envolvendo adversários ideológicos. Em vez de predominar um discurso de solidariedade, surgiram ironias, montagens e frases de humilhação direcionadas aos participantes do ato, muitas com tom religioso de “castigo” ou “justiça”.
Perfis alinhados à direita reagiram denunciando desumanização e discurso de ódio, registrando as declarações mais extremadas de opositores para usá-las como prova de hostilidade. Analistas observam que essa dinâmica de postagem e contra-postagem reforça a lógica de inimigos políticos, dificultando qualquer espaço para empatia ou diálogo.