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Escândalo do leite com formol expôs falhas e mudou regras no Brasil

Por Guilherme Silva
05/jan/2026
Em Geral
Caixa de leite - Créditos: depositphotos.com / VGeorgiev

Caixa de leite - Créditos: depositphotos.com / VGeorgiev

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Os casos de fraude envolvendo leite adulterado ajudaram a expor como a fiscalização de alimentos funciona na prática. Em 2014, a operação “Leite Compensado” investigou a adulteração de lotes processados pela indústria LBR Lácteos, levantando suspeitas sobre marcas famosas e obrigando a Anvisa a tratar o tema com rigor máximo.

O que a Anvisa considera como leite adulterado?

No contexto regulatório brasileiro, a fraude ocorre quando a composição do produto é modificada de forma intencional, fugindo dos padrões legais. Não se trata de variações naturais do leite cru, mas de intervenções criminosas para mascarar defeitos, aumentar o volume ou prolongar a validade sem autorização.

Essas práticas ferem gravemente a legislação sanitária e trazem riscos reais à saúde, sobretudo para crianças, gestantes e idosos. Em casos extremos, como o uso de substâncias tóxicas, a exposição contínua pode gerar efeitos cumulativos e perigosos no organismo.

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Créditos: depositphotos.com / alebloshka
Leite na jarra e no copo – Créditos: depositphotos.com / alebloshka

Quais substâncias são usadas para adulterar o leite?

Ao longo de investigações do Ministério Público, foram identificados diferentes métodos de adulteração na cadeia produtiva, desde o recebimento da matéria-prima até o envase. Abaixo estão os exemplos mais comuns encontrados pelos fiscais:

  • Água e Ureia: Usadas para diluir o leite (render mais) e disfarçar a perda de nutrientes nos testes.
  • Soda Cáustica: Utilizada para reduzir a acidez do leite que já estava estragando.
  • Formol: Inserção de composto cancerígeno para impedir que o leite azede, mesmo sem refrigeração adequada.

Como funcionou o esquema da LBR Lácteos em 2014?

A operação identificou fraude em centenas de milhares de litros de leite industrializado. A LBR Lácteos, responsável pela produção na época, distribuiu lotes adulterados (contendo água, ureia e traços de formol) envasados sob a licença de marcas renomadas, como Parmalat e Líder.

O procedimento envolveu o rastreamento de notas fiscais e coleta de amostras em fábricas e mercados. A confirmação da presença dessas substâncias tóxicas levou ao recolhimento imediato dos lotes e à responsabilização criminal dos envolvidos no transporte e processamento.

Créditos: depositphotos.com / AndrewLozovyi
Leite com sucrilhos – Créditos: depositphotos.com / AndrewLozovyi

O que mudou na fiscalização de laticínios após a fraude?

O caso de 2014 serviu de gatilho para endurecer as regras de fiscalização no país. A Anvisa passou a atuar de forma integrada com secretarias de agricultura e defesa do consumidor, priorizando testes específicos para detectar formol e conservantes irregulares com mais agilidade.

A indústria também reagiu reforçando o controle interno. Hoje, grandes cooperativas utilizam sistemas de rastreabilidade mais modernos e sensores que monitoram a qualidade do leite cru em tempo real, buscando recuperar a confiança do público através de certificações rigorosas.

Como saber se o leite de caixinha está estragado ou alterado?

Embora a responsabilidade legal seja das fábricas, a atenção do consumidor é vital para identificar problemas que escapam à fiscalização. Relatos bem documentados ajudam a direcionar investigações e agilizar a retirada de produtos perigosos das prateleiras.

Para se proteger, adote o hábito de conferir sempre o rótulo, a data de validade e o número do lote. Caso note alterações estranhas no cheiro, sabor ou consistência ao abrir a caixa, interrompa o consumo e denuncie imediatamente aos órgãos de defesa sanitária.

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