O telefonema entre Donald Trump e Delcy Rodríguez nesta quarta-feira (14/1) abriu uma nova frente na já complexa relação entre Estados Unidos e Venezuela. Ao classificar a dirigente venezuelana como “pessoa fantástica” e “parceira eficaz”, o presidente americano sinalizou uma mudança de tom em relação a Caracas, em um contexto marcado pela captura de Nicolás Maduro, pela indefinição da transição política e pela reacomodação de forças na América Latina.
Como Trump elogiou Delcy Rodríguez?
Ao elogiar publicamente Delcy Rodríguez, Trump indicou que a nova fase do relacionamento entre Washington e Caracas é vista como positiva por sua administração. Segundo o presidente americano, a dirigente interina “nos dá tudo que pedimos” e tem colaborado de forma alinhada com as demandas da Casa Branca, sobretudo em temas econômicos sensíveis como o petróleo.
Essa postura reforça a percepção de que a liderança interina venezuelana está mais disposta a atender a pautas históricas dos Estados Unidos na região. Analistas apontam que Trump aposta em ganhos rápidos em sanções, comércio e cooperação estratégica, privilegiando estabilidade de curto prazo e resultados concretos no campo geopolítico.
Qual é o papel de Delcy Rodríguez como sucessora de Nicolás Maduro?
Delcy Rodríguez assumiu interinamente o comando da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, e passou a sinalizar um reposicionamento frente aos Estados Unidos. Fontes do governo interino citam avanços em iniciativas que ampliam a influência americana sobre o setor petrolífero, principal ativo econômico venezuelano e foco central da recomposição econômica do país.
Esse movimento inclui negociações para flexibilizar barreiras comerciais e técnicas que limitavam o escoamento do petróleo venezuelano, além de discussões iniciais sobre transparência regulatória. Internamente, chavistas e oposição acompanham com cautela essa guinada, avaliando riscos de dependência externa e possíveis ganhos de alívio nas sanções.
Qual o impacto da libertação de presos políticos?
A decisão de iniciar a soltura de presos políticos é vista por Washington como resposta a antigas reivindicações ligadas à democracia e aos direitos humanos. Para a Casa Branca, esses gestos indicam que Delcy Rodríguez está aberta a mudanças institucionais graduais, ainda que sem romper com pilares do chavismo, o que torna a transição controlada e negociada.
O telefonema entre Trump e Delcy ocorreu na véspera do encontro do presidente americano com a líder opositora María Corina Machado, na Casa Branca. A oposição segue fora do desenho oficial da transição, mas mantém relevância simbólica e diplomática, permitindo aos EUA atuar em múltiplos canais e preservar margem de manobra diante de cenários incertos.
Como a aproximação entre Trump e Delcy Rodríguez afeta o petróleo?
O interesse estratégico domina a reaproximação entre Washington e Caracas, com o petróleo no centro da equação. Os EUA buscam diversificar fornecedores e reduzir vulnerabilidades energéticas, enquanto a Venezuela tenta recuperar receitas e reabrir acesso a mercados, condicionando concessões políticas a possíveis alívios graduais nas sanções econômicas.
Essa reconfiguração impacta alianças na América Latina, sobretudo em países historicamente próximos ao chavismo ou dependentes de apoio energético venezuelano. Ao tratar Delcy como parceira confiável, Trump sinaliza que enxerga na atual liderança uma oportunidade de redesenhar o tabuleiro regional sem descartar outros interlocutores internos, como setores moderados da oposição.