A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o caso do Banco Master ganhou novo fôlego no Senado. A oposição atingiu, nesta segunda-feira (19/1), o número mínimo de 42 assinaturas para abrir a chamada CPI do Master, ampliando a pressão política sobre a cúpula do Congresso e projetando efeitos diretos sobre a agenda do primeiro semestre de 2026, em meio ao recesso legislativo.
O que está em jogo na CPI do Master e na investigação sobre o Banco Master?
A CPI do Master tem como objetivo investigar a fraude envolvendo o Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro, liquidada pelo Banco Central após a identificação de irregularidades graves. Senadores querem esclarecer como se deu o esquema, quais órgãos foram acionados, se houve falhas de supervisão e quais impactos recaíram sobre clientes e o mercado financeiro.
O requerimento apresentado por Eduardo Girão (Novo-CE) prevê que a comissão funcione por 90 dias, prazo considerado suficiente, em tese, para ouvir envolvidos, requisitar documentos e apontar responsabilidades. Nesse contexto, a expressão CPI do Master passou a estar associada à transparência, à fiscalização de operações bancárias e ao debate sobre governança e combate a fraudes no sistema financeiro. Veja publicação de Eduardo Girão:
VITÓRIA:MAIS DA METADE DO SENADO!!! PARABÉNS A SOCIEDADE Q SE MOBILIZOU#fimdaimpunidade
— Eduardo Girão (@EduGiraoOficial) January 19, 2026
URGENTE: Davi Alcolumbre não tem mais desculpa! Acabamos de conquistar 42 assinaturas no @senadofederal p/ abrir imediatamente uma Comissão parlamentar de inquérito-CPI p/ investigar o… pic.twitter.com/DwHbAwAcJA
Como a CPI do Master e a CPMI podem avançar no Congresso Nacional?
Paralelamente à CPI no Senado, há articulação para instalar uma CPMI do Banco Master, que reuniria senadores e deputados em um mesmo colegiado, sob liderança do deputado Carlos Jordy (PL-RJ). O pedido já atingiu o número necessário de assinaturas, e a expectativa é que o requerimento seja lido na primeira sessão conjunta de 2026, abrindo caminho para a escolha de presidente, relator e integrantes.
Tanto a CPI do Senado quanto eventual CPI na Câmara e a CPMI dependem da leitura formal dos requerimentos em plenário pelos presidentes das Casas, sem a qual os colegiados não são oficialmente criados. Isso coloca a pauta sob influência direta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e do presidente da Câmara, enquanto a oposição intensifica a pressão para priorizar o tema em 2026.
- Leitura do requerimento em plenário;
- Indicação de membros pelos partidos e blocos;
- Eleição da presidência e relatoria da comissão;
- Definição de plano de trabalho e calendário de depoimentos;
- Elaboração e votação de relatório final com recomendações.
Quem apoia o pedido e como isso amplia a pressão política?
O pedido da CPI do Banco Master chama atenção pelo perfil diversificado dos signatários, que reúne líderes da oposição, como Tereza Cristina (PP-MS) e Carlos Portinho (PL-RJ), e parlamentares de partidos da base do governo, como Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM). Essa composição heterogênea reforça a percepção de que a apuração ultrapassa disputas partidárias imediatas.
A participação de governistas ao lado de oposicionistas amplia a pressão para que a CPI não fique apenas no papel e aumenta a cobrança sobre Davi Alcolumbre em relação à leitura do requerimento. Para muitos parlamentares, a instalação de uma CPI do Master ou de uma CPMI é vista como resposta à sociedade quanto às irregularidades no Banco Master, à atuação do Banco Central e às medidas para evitar fraudes semelhantes.
Quais são os principais impactos políticos e institucionais da CPI do Banco Master?
A eventual instalação da CPI do Master tende a ocupar parte relevante da agenda do Congresso em 2026, com convocações de autoridades, empresários e técnicos ligados ao sistema financeiro. No plano institucional, a comissão pode produzir recomendações sobre regulação bancária, governança interna das instituições financeiras e aprimoramento dos procedimentos de fiscalização pelo Banco Central.
Embora a CPI não tenha poder de condenar criminalmente, seus resultados podem ser encaminhados ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas da União e a outros órgãos competentes, influenciando novas investigações, ações judiciais e propostas legislativas. Eventuais descobertas sobre o Banco Master, Daniel Vorcaro e a cadeia de fiscalização deverão ser acompanhadas de perto por agentes do mercado, reguladores e cidadãos afetados pelo caso.