A construção de uma ligação fixa entre Salvador e a Ilha de Itaparica é tratada como um dos projetos mais ambiciosos da infraestrutura baiana em 2026. A Ponte Salvador–Itaparica pretende redesenhar o deslocamento na Baía de Todos-os-Santos, criando um novo eixo rodoviário entre a capital e o Recôncavo, com 12,4 km de extensão sobre a lâmina d’água e estrutura planejada para integrar mobilidade, logística, turismo e desenvolvimento regional.
Por que a Ponte Salvador–Itaparica é considerada um novo corredor de mobilidade?
Hoje, a travessia depende de ferryboats e lanchas, sujeitos a filas, horários restritos e condições de mar. Com a ponte em operação, espera-se um trajeto rodoviário contínuo de cerca de 15 a 20 minutos entre as duas margens, encurtando deslocamentos diários e viagens ao Recôncavo.
Os acessos em Salvador foram pensados para se conectar a avenidas de grande capacidade e ao sistema portuário, reduzindo o trânsito pesado em áreas residenciais. Do lado de Itaparica, a chegada se articula com rodovias estaduais que seguem para o sul e o interior, criando um corredor estratégico para turismo, serviços e transporte de cargas.
Como o projeto da Ponte Salvador–Itaparica foi planejado e estruturado?
A ideia de uma ponte sobre a Baía de Todos-os-Santos é antiga, mas ganhou forma a partir da década de 2010, quando o governo estadual passou a tratá-la como política pública de longo prazo. Estudos de engenharia, avaliações econômicas e análises ambientais embasaram a definição do traçado e do modelo de concessão em parceria público-privada.
Ao longo dos anos, foram feitos estudos de viabilidade técnica e financeira, estimativas de demanda de tráfego e ajustes contratuais. Em meio a mudanças econômicas e à pandemia de Covid-19, o cronograma passou por repactuações, permitindo que, em 2026, o empreendimento avançasse para canteiros mais robustos e início de estruturas no mar.
Quais são os principais desafios de engenharia e operação da ponte?
A travessia ocorre sobre uma baía com diferentes profundidades, navegação de grande porte e áreas ocupadas por pesca e turismo náutico. Antes de erguer estruturas visíveis, foram feitos levantamentos batimétricos, estudos geofísicos e sondagens, essenciais para definir fundações, pilares e trechos com necessidade de maior reforço.
O projeto também precisa garantir convivência segura com a navegação, com vão principal dimensionado para navios de grande porte e corredores laterais para embarcações menores. Em terra, canteiros industriais organizam a pré-fabricação de peças de concreto e a armazenagem de estruturas metálicas, otimizando prazo e logística.
Com mais de 175 mil inscritos, o canal Urbana apresenta por que a Ponte Salvador–Itaparica é considerada um novo corredor de mobilidade:
Quais impactos sociais, econômicos e ambientais a Ponte Salvador–Itaparica pode gerar?
O debate público envolve custos, financiamento e retorno social do investimento, em um cenário de variação de preços e juros. Ao mesmo tempo, o governo apresenta a obra como indutora de desenvolvimento, com previsão de sete mil empregos diretos e benefícios para cerca de 10 milhões de baianos em aproximadamente 250 municípios.
Na dimensão socioambiental, o licenciamento busca equilibrar proteção da baía e modo de vida de comunidades locais. Entre os pontos mais discutidos estão:
- Custo e financiamento necessidade de transparência sobre investimentos, tarifas e repartição de riscos.
- Comunidades locais preservação do modo de vida de pescadores e trabalhadores que dependem da baía.
- Meio ambiente controle de impactos na água, na fauna, nas áreas costeiras e em rotas tradicionais de navegação.
O que se espera da Ponte Salvador–Itaparica?
Os próximos anos devem consolidar canteiros industriais, fundações no mar e montagem do tabuleiro, tornando a obra cada vez mais visível à população. Com a conclusão, a ponte tende a se tornar eixo estruturante de mobilidade e desenvolvimento na região da Baía de Todos-os-Santos.
A nova ligação deve alterar padrões de viagens diárias, reconfigurar rotas logísticas e aproximar Salvador de cidades históricas e turísticas do Recôncavo. O desempenho do projeto dependerá do cumprimento de cronogramas e condicionantes ambientais, da transparência nas informações e da articulação com políticas de transporte, uso do solo e proteção social.