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Início Economia

China impõe tarifa de 55% à carne bovina do Brasil e acende alerta no mercado

Por Junior Melo
02/jan/2026
Em Economia
China impõe tarifa de 55% à carne bovina do Brasil e acende alerta no mercado

Carne - Créditos: depositphotos.com / ArturVerkhovetskiy

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A decisão da China de aplicar uma tarifa de 55% sobre a importação de carne bovina que exceder as novas cotas colocou o mercado global em alerta. O anúncio, feito pelo Ministério do Comércio chinês (Mofcom) nessa quarta (31/12), redefine o ritmo do comércio de proteína bovina com vigência de três anos, até 31 de dezembro de 2028, afetando diretamente grandes exportadores, com destaque para o Brasil.

O que foi decidido pela China sobre a tarifa de 55% na carne bovina?

O núcleo da nova política de importação de carne bovina da China é a adoção de um sistema de cotas específicas por país, combinado a uma tarifa adicional de 55% sobre qualquer volume que ultrapasse esses limites. Essa alíquota extra não substitui as tarifas já existentes, mas se soma a elas, encarecendo de forma significativa a carne bovina importada acima da cota.

Segundo o Mofcom, a justificativa é a proteção da indústria nacional de carne bovina, que teria sofrido “graves danos” com o aumento das importações e a queda dos preços pagos aos pecuaristas chineses. A investigação, iniciada em 27 de dezembro de 2024, concluiu que houve alta relevante nas compras externas, com efeitos sobre a rentabilidade da pecuária local.

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Como a nova tarifa de 55% impacta o Brasil?

A carne bovina brasileira ocupa posição central nesse novo arranjo, já que o Brasil responde por cerca de 45% de todas as importações chinesas do produto. Para 2026, a cota definida para o país é de 1,106 milhão de toneladas sem tarifa adicional, subindo para 1,128 milhão em 2027 e 1,154 milhão em 2028.

Até novembro do último ano, o Brasil já havia exportado 1,499 milhão de toneladas de carne bovina para a China, com receita de US$ 8,028 bilhões. Mantido o mesmo apetite do mercado chinês, uma parcela relevante dessas vendas passaria a enfrentar a tarifa extra de 55%, o que tende a pressionar renegociações de preços e eventual redirecionamento de cargas para outros destinos.

Quais países serão mais impactados pelas novas cotas de carne bovina?

Além do Brasil, outros grandes exportadores de carne bovina para a China entram no sistema de cotas, calculadas com base na participação de cada país nas compras chinesas. Argentina, Uruguai, Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos aparecem com limites expressivos, mas todos sujeitos à sobretaxa de 55% para volumes excedentes.

O Mofcom indicou ainda que países e regiões em desenvolvimento não estarão sujeitos à salvaguarda se a participação individual não exceder 3% das importações e se o conjunto da região ficar abaixo de 9%. Nesse contexto, alguns dos principais players e suas cotas estimadas são:

  • Argentina: cota de 511 mil toneladas no próximo ano;
  • Uruguai: cota de 324 mil toneladas sem tarifa adicional em 2026;
  • Nova Zelândia: 206 mil toneladas;
  • Austrália: 205 mil toneladas;
  • Estados Unidos: 164 mil toneladas.

O que muda para o mercado global até 2028?

As salvaguardas chinesas para a importação de carne bovina têm potencial para reconfigurar parte do comércio internacional da proteína vermelha pelos próximos três anos. Como os volumes não utilizados dentro da cota não podem ser transferidos para o ano seguinte, exportadores tendem a planejar embarques com mais rigor, sob risco de perda de espaço e margens.

Analistas projetam uma reorganização dos fluxos, com busca de novos mercados, ajustes de preços e maior pressão por competitividade da pecuária doméstica chinesa. Também é esperada maior diversificação de fornecedores por parte dos importadores na China, dentro dos limites de isenção e das cotas por país.

FAQ sobre tarifas chinesas na carne bovina

  • Por que a China investigou as importações de carne bovina? A investigação buscou avaliar se o aumento do volume importado estava ligado a prejuízos à indústria nacional, com foco em queda de preços pagos aos pecuaristas e impacto na rentabilidade dos produtores locais.
  • Os países podem negociar mudança nas cotas de carne bovina? As cotas foram definidas unilateralmente pela China, mas o próprio Mofcom prevê possibilidade de revisão das salvaguardas, o que pode envolver diálogo bilateral e discussões em fóruns multilaterais.
  • Os consumidores chineses podem sentir alta no preço da carne bovina? A depender do repasse de custos da tarifa de 55% e da oferta doméstica, pode haver ajustes nos preços ao consumidor, embora o objetivo da medida seja principalmente proteger a produção local.
  • O que acontece se um país não usar toda a sua cota anual? De acordo com o anúncio chinês, volumes não utilizados não podem ser transferidos para o ano seguinte, o que incentiva planejamento mais preciso dos embarques por parte dos exportadores.
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