A morte do influenciador digital PC Siqueira, registrada em dezembro de 2023 como suicídio, voltou ao centro das atenções em 2026 após decisão da Justiça de São Paulo. Atendendo a um pedido do Ministério Público, o Judiciário determinou a reabertura do inquérito policial, abrindo espaço para novas linhas de investigação e para a possibilidade de o caso ser tratado como assassinato ou instigação ao suicídio, o que altera o rumo de um processo que caminhava para o arquivamento.
Por que a morte de PC Siqueira voltou a ser investigada?
O Instituto Médico Legal concluiu que a causa foi “asfixia mecânica por enforcamento” e identificou traços de cocaína e medicamentos, que não teriam sido responsáveis diretos pela morte, reforçando, à época, a tese de suicídio.
A família de PC Siqueira contestou a investigação, apontando supostas falhas na perícia e na coleta de depoimentos, inclusive o fato de testemunhas indicadas pela família não terem sido ouvidas. Diante dessas contestações, o Ministério Público decidiu não pedir o arquivamento do caso e solicitou a retomada das apurações pela Polícia Civil.
Quais hipóteses são avaliadas sobre a morte de PC Siqueira?
Com a reabertura do inquérito, a Polícia Civil passou a trabalhar com novas hipóteses para a morte de PC Siqueira. Entre elas estão a possível instigação ao suicídio e a chance de que o influenciador tenha sido vítima de homicídio, com encenação de suicídio no local do fato, além da manutenção da tese de autolesão.
Os advogados da família defendem que a hipótese de suicídio não deve ser considerada definitiva neste estágio. O advogado Caio Muniz resume a nova abordagem em três frentes principais, que orientam a atuação da polícia e do Ministério Público na reconstrução dos fatos:
- Suicídio cometido pelo próprio influenciador, sem participação de terceiros.
- Instigação externa que o teria levado ao ato, inclusive por pressões psicológicas ou emocionais.
- Homicídio, com possível encenação de suicídio para ocultar a dinâmica real da morte.
Quais são os próximos passos da investigação do caso?
Uma das diligências mais aguardadas foi a reconstituição da morte de PC Siqueira, ocorrida as 10h30min de 20 de janeiro de 2026, no edifício onde ele morava. A reconstituição busca simular, com o máximo de detalhes possível, o que pode ter acontecido no dia da morte, incluindo movimentos dentro do apartamento e a dinâmica do enforcamento.
A polícia convocou pessoas que tiveram contato com o influenciador horas antes do ocorrido e testemunhas já conhecidas, como a ex-namorada, cuja presença é considerada obrigatória, salvo justificativa. O Ministério Público também solicitou novas perícias, revisão de fotos e vídeos do local e reavaliação de laudos anteriores, a fim de reduzir contradições encontradas em depoimentos e documentos técnicos.
Quais são os possíveis impactos jurídicos no caso PC Siqueira?
A decisão de reabrir a investigação da morte de PC Siqueira tem efeitos relevantes no campo jurídico. Ao recusar o arquivamento, o Ministério Público indica que ainda vê dúvidas sobre como os fatos ocorreram, especialmente quanto à eventual participação de terceiros, seja por ação direta ou por incentivo.
Se forem encontrados indícios consistentes de instigação ao suicídio ou de homicídio, o caso pode deixar de ser tratado apenas como autolesão e passar a envolver responsabilização criminal de pessoas próximas ao influenciador. Até a conclusão das novas diligências, o procedimento permanece em aberto e a versão oficial sobre a morte de PC Siqueira segue em revisão, podendo reforçar a tese inicial ou levar a um novo enquadramento jurídico.