Os fundos de investimento ligados à gestora Reag entraram no radar do mercado financeiro após acionarem a regra de sigilo de carteiras em um momento sensível, marcado pelo avanço de investigações da Polícia Federal e por negociações envolvendo o Banco Master, o que levantou dúvidas sobre transparência, gestão de risco e possível uso de estruturas financeiras para ocultação de informações relevantes.
O que é o sigilo de carteiras previsto pela CVM e como ele funciona?
O sigilo de carteiras é uma prerrogativa regulatória que permite a fundos de investimento omitirem, por período determinado, o detalhamento dos ativos que compõem suas posições. Segundo normas da CVM, essa omissão pode durar até seis meses, desde que respeitados critérios como proteção de estratégia, preservação de negociações em curso ou outros fatores sensíveis.
Durante o prazo de sigilo, os relatórios aos cotistas e ao mercado deixam de exibir a descrição minuciosa de cada papel, mantendo apenas informações agregadas por classe ou emissor. A medida busca evitar que a estratégia seja copiada ou prejudicada por terceiros e reduzir impactos de grandes movimentações sobre preços, embora em cenários de investigação passe a ser analisada sob ótica de possível opacidade excessiva.
Como os fundos da Reag se relacionam com o Banco Master?
A relação entre os fundos da Reag e o Banco Master se tornou um dos focos das apurações. Em 2025, veículos como Olaf 95, Hans 95, Maia 95, Astralo 95 e Reag Growth 95 chegaram, em diferentes momentos, a manter cerca de R$ 651 milhões aplicados em CDBs e RDBs emitidos pelo Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, conforme relatórios anteriores ao período de sigilo.
As investigações da PF buscam entender se tais estruturas foram usadas para inflar ou ocultar riscos relacionados ao Master, em meio à tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB), depois vetada pelo Banco Central. Nesse contexto, outras casas também passaram a ser analisadas, sob suspeita de fraudes, lavagem de dinheiro e simulações de operações financeiras ligadas às operações Carbono Oculto e Compliance Zero.
Como os fundos da Reag ajustaram suas posições ao longo de 2025?
Os dados disponíveis indicam que a exposição dos fundos da Reag a títulos do Banco Master foi sendo reduzida gradualmente ao longo de 2025, com retirada progressiva de recursos já aplicados em vez de novos aportes recorrentes. Nos meses mais recentes, porém, as informações detalhadas deixaram de ser divulgadas em razão do sigilo de carteiras previsto nas normas da CVM.
Além dos papéis bancários, o portfólio de alguns fundos chamava atenção pelo volume em outros ativos, como no caso do Astralo 95, que chegou a manter aproximadamente R$ 140 milhões em crédito privado e cerca de R$ 520 milhões em ações. Em cenário de investigação, essa combinação de crédito privado, renda fixa bancária e ações passa a ser examinada quanto a eventual uso para mascarar riscos, liquidez e fluxos financeiros.
Qual é o papel dos ex-sócios do Banco Master?
Paralelamente às investigações criminais e regulatórias, disputas judiciais envolvendo ex-sócios do Banco Master ampliaram o escrutínio sobre a Reag. Em 29 de abril de 2025, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de bens de Augusto Lima, ex-sócio do Master, encontrando cerca de R$ 112 milhões aplicados em conta na Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
O bloqueio ocorreu em ação de execução de dívida movida pela família ex-proprietária do Banco Voiter, vendido ao Master em 2024, para garantir um montante de R$ 470,5 milhões. A presença de valores expressivos em estruturas ligadas à Reag insere a instituição em um cenário de questionamentos judiciais, investigações policiais e maior supervisão regulatória, com impacto na percepção de risco e governança.