A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar supostas fraudes financeiras no Banco Master abriu um novo capítulo na Câmara Municipal de São Paulo. O pedido, protocolado pela vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil) nessa terça-feira (13/1), busca aprofundar, em âmbito legislativo, denúncias já investigadas pela Polícia Federal e pelo Judiciário, em um momento em que operações policiais ampliam o foco sobre o banco e seus principais executivos.
Como a CPI do Banco Master pretende investigar?
A proposta de CPI na Câmara de São Paulo tem como foco principal denúncias de fraude financeira, maquiagem contábil e lavagem de dinheiro. O texto do requerimento cita ainda possíveis danos diretos a investidores, consumidores e à chamada economia popular paulistana, indicando impactos que podem atingir pequenos aplicadores e a população em geral.
Um dos pontos centrais do pedido é a preocupação com a ordem econômica da cidade de São Paulo e com a credibilidade de seu centro financeiro, tratado como um “patrimônio imaterial” da capital. Em termos políticos, a CPI poderá levantar documentos, convocar testemunhas e produzir um relatório a ser encaminhado a órgãos de controle e ao Ministério Público.
Como a Operação Compliance Zero se relaciona ao Banco Master?
Paralelamente ao movimento na Câmara, a Polícia Federal deflagrou, nessa quarta-feira (14/1), a segunda fase da Operação Compliance Zero, aprofundando suspeitas de irregularidades ligadas ao Banco Master. Nessa etapa, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em endereços em São Paulo, incluindo a região da Avenida Faria Lima, e nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
As autoridades determinaram o bloqueio de bens estimados em R$ 5,7 bilhões, atingindo, entre outros, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e familiares. Também são investigados o cunhado Fabiano Zettel, detido no Aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar para Dubai, o empresário e investidor Nelson Tanure e o empresário João Carlos Mansur, além de empresas como Sefer Investimentos DTVM, Clínica Mais Médicos S.A., Acura Gestora de Recursos Ltda. e WNT Gestora de Recursos Ltda.
O que diz a defesa de Daniel Vorcaro?
Em nota oficial, a defesa de Daniel Vorcaro informou ter tomado conhecimento das medidas de busca e apreensão e afirmou que o empresário tem colaborado de forma integral com as autoridades. Os advogados declararam que todas as decisões judiciais serão cumpridas com transparência e que, até o momento do comunicado, ainda não tinham acesso integral aos autos do inquérito.
A defesa reforçou que Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos, manifestando interesse no esclarecimento completo dos fatos e confiança no devido processo legal. No âmbito municipal, a eventual instalação da CPI pode gerar audiências públicas, convocações de representantes do banco e de órgãos regulatórios, além de recomendações para aprimorar normas locais de proteção ao consumidor e pedidos de aprofundamento de investigações criminais e administrativas.
Quais impactos a CPI do Banco Master pode trazer?
A criação de uma CPI tende a repercutir na relação entre instituições financeiras, investidores e o poder público em São Paulo, elevando o debate sobre transparência, governança e mecanismos de controle. Em um cenário de maior escrutínio, bancos e gestoras podem ser pressionados a revisar procedimentos internos de compliance, gerenciamento de riscos e prevenção à lavagem de dinheiro.
Nesse contexto, alguns temas específicos ganham relevância e podem orientar tanto as discussões legislativas quanto eventuais medidas regulatórias futuras:
- o nível de fiscalização sobre operações de alto risco;
- a proteção de pequenos investidores em estruturas complexas de investimento;
- o papel de auditorias e consultorias em casos de suspeita de maquiagem contábil;
- a articulação entre órgãos municipais, estaduais e federais em situações de possível crime financeiro.