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Após erro em Pix de R$ 50 mil, destinatário se nega a devolver e acaba condenado pela Justiça em R$ 10 mil por danos morais

Por Guilherme Silva
06/jan/2026
Em Geral
Destinatário que reteve Pix de R$ 50 mil é condenado após decisão judicial

Destinatário que reteve Pix de R$ 50 mil é condenado após decisão judicial

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Erros em transferências via Pix e outros meios digitais tornaram-se mais frequentes com a popularização das operações instantâneas. Digitação incorreta ou escolha errada da chave pode resultar no envio de valores a terceiros, levantando dúvidas sobre devolução e eventual indenização por danos morais.

Quem recebe Pix por engano deve devolver o valor?

Do ponto de vista jurídico, valores recebidos sem motivo legítimo configuram pagamento indevido. Permanecer com o dinheiro, sabendo que não existe dívida ou relação que justifique aquele crédito, caracteriza enriquecimento sem causa, vedado pelo Código Civil brasileiro.

A regra é clara: quem recebe Pix por engano tem obrigação de restituir a quantia, normalmente com correção monetária e, em certos casos, com juros. Quando o titular da conta é avisado sobre o erro e colabora de forma rápida, a questão se resolve com devolução simples, sem maiores consequências jurídicas.

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Créditos: depositphotos.com / AllaSerebrina
Mulher escrevendo e lendo com uma estátua da Justiça – Créditos: depositphotos.com / AllaSerebrina

Como a Justiça avalia a recusa em devolver Pix recebido por engano?

Na análise dos tribunais, a conduta de quem recebe uma transferência equivocada é determinante para a caracterização ou não de ilicitude. A Justiça costuma distinguir as situações em que há boa-fé e colaboração imediata daquelas em que ocorre recusa injustificada na devolução do valor, sobretudo quando o recebedor tem ciência de que o dinheiro não lhe pertence.

Conduta do recebedor Entendimento predominante da Justiça
Boa-fé e devolução imediata Quando há resposta rápida ao contato do remetente e autorização para estorno, o caso tende a ser tratado como transtorno pontual, sem gerar dano moral.
Reconhecimento do erro Admitir que o valor não pertence ao recebedor reforça a expectativa de devolução e afasta alegações de dúvida legítima.
Recusa em devolver o valor A retenção injustificada do Pix costuma ser vista como comportamento abusivo pelos tribunais.
Necessidade de ação judicial Obrigar o remetente a ingressar em juízo para reaver o valor pode justificar condenação por danos morais.

Como funciona a devolução do Pix em caso de erro na transferência?

No erro de Pix sem indício de fraude, a solução envolve, em regra, a intermediação das instituições financeiras e a cooperação do recebedor. O remetente deve procurar o banco, relatar o equívoco e solicitar auxílio para contato com a outra parte, registrando todos os protocolos.

Para situações com suspeita de golpe, clonagem de conta ou falhas operacionais, o Banco Central instituiu o Mecanismo Especial de Devolução (MED). Esse recurso permite o bloqueio temporário dos valores e, após análise dos indícios, a devolução ao titular lesado, quando configurada fraude ou falha no serviço.

Créditos: depositphotos.com / verganifotografia
Dinheiro em mãos – Créditos: depositphotos.com / verganifotografia

Quais cuidados tomar ao perceber erro em transferência bancária via Pix?

A rapidez na reação aumenta as chances de recuperar o dinheiro enviado equivocadamente. É recomendável adotar alguns cuidados práticos e documentar cada etapa, o que também reforça a prova em eventual ação judicial.

  • Guardar o comprovante: salvar recibo com data, horário, valor, chave e identificação do destinatário.
  • Contatar o banco imediatamente: informar o erro, anotar protocolos e solicitar análise do caso.
  • Pedir avaliação do MED: quando houver indício de fraude ou problema técnico na transação.
  • Tentar contato com o recebedor: buscar solução amigável, preferencialmente por mensagem escrita.
  • Organizar provas e buscar orientação jurídica: reunir registros e, se necessário, avaliar medidas judiciais cabíveis.

Leia também: Nova regra do Procon multa empresas que não resolvem reclamações em até 10 dias

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