A decisão recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de determinar o recolhimento de um lote de hidroclorotiazida 25 mg reacendeu o debate sobre segurança de medicamentos no país, especialmente porque o produto é amplamente utilizado no tratamento da pressão alta por pessoas idosas que dependem do uso diário da medicação para manter a hipertensão sob controle.

O que está em jogo no recolhimento da hidroclorotiazida 25 mg?
A hidroclorotiazida 25 mg é um diurético bastante prescrito para controle da hipertensão arterial e, em alguns casos, para edemas associados a doenças cardíacas, renais ou hepáticas. O lote afetado pela determinação da Anvisa é o OA3169, fabricado pela MedQuímica Indústria Farmacêutica Ltda., com suspensão imediata de venda, distribuição e uso em todo o território nacional.
O problema está em um erro de embalagem: em parte das unidades, o comprimido contido no interior da caixa não coincidia com a descrição do rótulo. Em tratamentos crônicos de pressão alta, qualquer troca de medicamento sem supervisão clínica pode gerar oscilações pressóricas e, em casos extremos, favorecer eventos cardiovasculares, justificando o recolhimento preventivo.
Por que a segurança na identificação de remédios para pressão alta é essencial?
Medicamentos para pressão alta, como a hidroclorotiazida, costumam ser utilizados por longos períodos, muitas vezes por toda a vida. Em pessoas com mais de 60 anos, é comum o uso concomitante de diversos fármacos, o que aumenta o impacto de qualquer erro de rotulagem ou apresentação de dose na eficácia e na segurança do tratamento.
Os riscos vão além da perda de controle da pressão arterial e incluem reações inesperadas, interações medicamentosas e dificuldades no acompanhamento clínico. A seguir, estão alguns exemplos de problemas que podem ocorrer quando há falhas na identificação dos comprimidos e das embalagens:
- Troca de substância: ingestão de um fármaco diferente do indicado.
- Erro na dose: conteúdo incompatível com a dosagem descrita.
- Interações medicamentosas: combinação não planejada com outros remédios.
- Dificuldade de acompanhamento: médico e paciente podem interpretar de forma errada os resultados do tratamento.
Como identificar o lote de hidroclorotiazida que foi recolhido?
Diante da medida da Anvisa, quem faz uso de medicamentos para controlar a pressão arterial passou a ter maior atenção com as embalagens. A verificação do lote é simples, mas requer cuidado na leitura das informações presentes na caixa e na cartela de comprimidos.
As principais orientações envolvem conferir o nome do produto, o código do lote e a validade, além de comparar o que está impresso na embalagem externa e no blister. Assim, o paciente consegue verificar se utiliza o lote OA3169 e, em caso de dúvida, interromper o uso e buscar esclarecimentos no estabelecimento ou com um profissional de saúde.
- Conferir o nome do medicamento: verificar se está escrito “hidroclorotiazida 25 mg”.
- Checar o lote: localizar o código do lote; no caso em destaque, trata-se do lote OA3169.
- Observar validade: confirmar a data de vencimento para garantir uso dentro do prazo.
- Comparar caixa e cartela: verificar se as informações do blister coincidem com as da embalagem externa.
Se houver qualquer divergência de nome, dosagem, aparência do comprimido ou número de lote, a orientação é interromper o uso e buscar assistência. Em situações de sintomas diferentes do habitual, o mais indicado é procurar atendimento médico ou serviço de urgência para avaliação imediata.
Qual é o papel da Anvisa no recolhimento de medicamentos?
A atuação da Anvisa em episódios como o da hidroclorotiazida 25 mg integra o sistema de vigilância sanitária brasileiro. O órgão recebe notificações de fabricantes, profissionais de saúde, farmácias e cidadãos, analisa cada caso e define se serão necessárias ações como suspensão de lote, interdição de fábrica, mudança de rotulagem ou atualização de bula.
O recolhimento de um lote específico não significa que todo o medicamento para pressão alta de determinada marca ou princípio ativo apresente problema. Em geral, são situações pontuais, ligadas a falhas em etapas como acondicionamento, rotulagem ou transporte, mas que levam a revisões de processos internos, ajustes de qualidade e novas exigências regulatórias para aumentar a segurança ao longo do tempo.