A determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o recolhimento de panetones e alimentos com cogumelos levantou novas discussões sobre segurança alimentar no país, envolvendo produtos de duas empresas distintas e abordando tanto itens típicos das festas de fim de ano quanto alimentos voltados ao consumo diário, em razão da presença de fungos em panetones e do uso de espécies de cogumelos ainda não autorizadas para uso em alimentos no Brasil.
Recolhimento de panetones pela Anvisa
O recolhimento de alimentos como panetones e produtos com cogumelos ocorre dentro de procedimentos previstos em normas sanitárias, que visam reduzir riscos à saúde da população. No caso dos panetones, a empresa responsável comunicou a situação às autoridades, o que resultou em recolhimento classificado como voluntário.
Já em relação aos produtos com cogumelos, a Anvisa ampliou o escopo da proibição, suspendendo a produção, distribuição e consumo. A razão principal foi a ausência de avaliação de segurança dessas substâncias no contexto alimentar nacional, o que impede seu uso regulamentado em alimentos.
O que motivou a decisão da Anvisa sobre o panetone?
A decisão de recolher determinados lotes de panetone fabricados pela D’Viez Indústria e Comércio de Chocolates Finos Ltda. foi tomada após a detecção de fungos na superfície dos produtos. Todos os lotes afetados têm validade até 27 de fevereiro de 2026 e pertencem à numeração 251027, incluindo mini panetones trufados, com gotas de chocolate e com frutas.
Embora a presença de fungos muitas vezes seja visível, a orientação é que qualquer unidade desses lotes deixe de ser consumida, mesmo que aparentemente esteja em boas condições. A contaminação pode ocorrer por falhas em etapas de produção, armazenamento ou transporte, e o aviso da própria empresa demonstra o funcionamento do sistema de vigilância sanitária.
Qual a importância da segurança do alimentar no Brasil?
O panetone ocupa um espaço consolidado na mesa do brasileiro, especialmente nas festas de Natal e Ano-Novo. Estimativas do setor indicam que o produto chega a mais da metade dos domicílios, movimentando indústrias de alimentos, panificadoras, redes varejistas e pequenos comércios.
Com o aumento da produção entre 2024 e 2025, cresce também a necessidade de fiscalização frequente. A segurança depende de fatores como controle de temperatura, umidade e embalagem, pois pequenas variações favorecem fungos, exigindo supervisão da vigilância tanto em fábricas quanto em pontos de venda.
Quais são os motivos para a proibição total dos produtos com cogumelos?
No caso da empresa Coguvita II Alimentos Ltda., a Anvisa adotou uma postura mais restritiva. Os produtos utilizavam cogumelos do tipo Lion’s Mane e Cordyceps, que ainda não têm segurança comprovada para uso em alimentos no Brasil, por falta de conclusão dos processos regulatórios necessários.
A proibição atinge toda a cadeia das marcas Smush, Smushnuts, Smushn Go e Smushnola, incluindo pastas, granolas, barras e cápsulas de café. Além dos ingredientes não autorizados, foram identificadas alegações de benefícios à memória, foco, saúde mental e imunidade sem respaldo em estudos científicos aprovados, o que fere a legislação.
Como o consumidor deve agir em casos de recolhimento de alimentos?
Quando ocorre um recolhimento determinado pela Anvisa, a orientação é interromper o uso do produto imediatamente. Para panetones da marca D’Viez e alimentos com cogumelos das marcas ligadas à Coguvita II, recomenda-se guardar as embalagens, anotar o número do lote e contatar os canais de atendimento da empresa para substituição ou reembolso, conforme o Código de Defesa do Consumidor.
Além dessas medidas, algumas ações práticas ajudam a organizar o registro do ocorrido e facilitar o contato com empresas e autoridades, garantindo maior proteção ao consumidor:
- Parar o consumo assim que tomar conhecimento do alerta sanitário.
- Verificar data de validade e número do lote na embalagem.
- Registrar fotos dos produtos, se possível, para comprovar a compra.
- Procurar atendimento da empresa ou do estabelecimento onde o item foi adquirido.
- Em caso de sintomas após o consumo, buscar orientação médica.
Se o consumidor identificar que algum produto alvo de recolhimento ainda está à venda, a Anvisa orienta registrar denúncia por meio do canal oficial Fala.BR, informando nome e endereço do estabelecimento. Essa participação colabora com a fiscalização, permitindo atuação mais rápida das equipes de vigilância sanitária.
Qual é o papel da fiscalização sanitária em episódios como esse?
A atuação da Anvisa em episódios com panetones e alimentos com cogumelos mostra como a fiscalização sanitária funciona na prática. A agência acompanha notificações de empresas, reclamações de consumidores e resultados de análises laboratoriais em parceria com estados e municípios.
- Recebimento de informações ou denúncias sobre possível irregularidade.
- Avaliação técnica inicial e, se necessário, coleta de amostras.
- Emissão de alertas e publicações oficiais em caso de risco comprovado.
- Definição de ações como recolhimento, suspensão ou proibição.
- Acompanhamento de medidas corretivas adotadas pelas empresas.
Com o crescimento do mercado de panetones, produtos sazonais e alimentos com ingredientes inovadores, a tendência é que episódios semelhantes continuem sob monitoramento. Para o consumidor, acompanhar comunicados oficiais e conferir rótulos com cuidado torna-se rotina importante, enquanto para as empresas o cumprimento das regras de segurança e rotulagem segue essencial para manter produtos nas prateleiras.
