A atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em relação a produtos de higiene pessoal, cosméticos e, especialmente, protetor solar, costuma chamar atenção sempre que são anunciadas medidas de suspensão e recolhimento, como ocorreu em julho de 2025, quando uma decisão publicada no Diário Oficial da União determinou a retirada do mercado de um protetor solar específico e de todos os cosméticos de outra empresa, evidenciando a importância do controle sanitário e do cumprimento das normas de segurança.

Por que o registro de protetor solar na Anvisa é obrigatório?
Diferentemente de muitos outros cosméticos, os filtros solares são classificados como produtos de maior risco, porque têm função de proteção contra a radiação ultravioleta, relacionada a queimaduras, envelhecimento precoce da pele e câncer de pele.
Por esse motivo, a legislação brasileira exige que cada formulação de protetor solar seja registrada na Anvisa antes de ser colocada à venda. O registro consiste em um processo formal em que a empresa fabricante apresenta um dossiê técnico detalhado para análise da agência, com foco em qualidade, eficácia e segurança do produto.
Quais informações são avaliadas no registro de protetor solar?
No processo de registro, a Anvisa exige dados técnico-científicos que comprovem o desempenho e a segurança do protetor solar. Essa análise busca assegurar que o produto oferece o nível de proteção declarado e que foi desenvolvido com base em evidências confiáveis.
Entre as principais informações avaliadas no dossiê técnico apresentado pela empresa estão:
- Composição completa do produto, incluindo filtros químicos e físicos;
- Estudos que comprovem o fator de proteção solar (FPS) declarado;
- Testes de segurança, como irritação e sensibilização cutânea;
- Condições de fabricação, armazenamento e rotulagem.
O que caracteriza um protetor solar irregular no mercado?
Sem o procedimento de registro, o protetor solar é considerado irregular, pois não há comprovação oficial de que ele realmente oferece o nível de proteção anunciado ou de que foi fabricado em condições adequadas. Essa situação aumenta o risco de falhas na proteção contra radiação ultravioleta.
É esse tipo de irregularidade que leva à determinação de suspensão de comercialização e recolhimento de lotes, como ocorreu no caso do produto ANTIOX C FPS 58. Nessas situações, a Anvisa atua para retirar o item do mercado e informar consumidores e comerciantes sobre os riscos potenciais.
Como funciona a fiscalização da Anvisa em caso de irregularidades?
Quando a Anvisa identifica ou recebe denúncia sobre possível irregularidade em um protetor solar ou cosmético, pode abrir processo de fiscalização, que inclui análise documental, inspeções e, em alguns casos, testes laboratoriais. O objetivo é verificar se há falhas que possam comprometer a saúde do consumidor.
Se forem constatadas falhas graves, a agência pode adotar diferentes medidas sanitárias graduadas, proporcionais ao risco identificado, para interromper o uso e a circulação dos produtos irregulares no território nacional.
Quais medidas sanitárias a Anvisa pode adotar?
Quando a investigação conclui que um produto apresenta irregularidades ou risco à saúde, a Anvisa pode aplicar medidas específicas para proteger a população. Essas ações são formalizadas por atos publicados e comunicadas a empresas, órgãos de vigilância locais e consumidores.
- Suspensão da fabricação e venda
A produção, distribuição, exposição e venda do item são interrompidas em todo o território nacional. - Recolhimento dos lotes
A empresa é obrigada a retirar todos os lotes do mercado, incluindo estoques de distribuidores, farmácias, lojas físicas e virtuais. - Proibição de propaganda e uso
A divulgação comercial do produto é vetada, assim como sua utilização em estabelecimentos que ofereçam serviços estéticos. - Comunicação oficial ao público
A medida é publicada no Diário Oficial da União, permitindo que consumidores e comerciantes tenham acesso às informações.
A publicação no DOU funciona como um aviso formal de que aquele protetor solar ou cosmético não pode mais ser comercializado ou utilizado. Em muitos casos, a própria agência orienta que consumidores interrompam o uso e procurem serviços de saúde se tiverem apresentado algum tipo de reação.
Por que a autorização de funcionamento para fabricar cosméticos é necessária?
Outro ponto central do episódio de julho de 2025 foi a situação da empresa responsável por diversos cosméticos que não possuía Autorização de Funcionamento da Anvisa. Essa autorização é um documento obrigatório para qualquer indústria que produza, importe ou distribua cosméticos, produtos de higiene e similares.
Sem essa licença, a Anvisa não consegue assegurar que a estrutura fabril e os processos adotados seguem padrões mínimos de segurança e qualidade. Por isso, todos os produtos fabricados nessa condição tornam-se automaticamente irregulares, independentemente de sua formulação.
Quais requisitos as empresas precisam cumprir para obter autorização?
Para obter a Autorização de Funcionamento, a empresa precisa demonstrar que atende a requisitos estruturais e operacionais que reduzam riscos sanitários. Esses critérios são verificados por meio de documentação e, quando necessário, inspeções presenciais nas instalações.
- Instalações adequadas para fabricação, controle de qualidade e armazenamento;
- Procedimentos de boas práticas de fabricação documentados e implementados;
- Responsável técnico habilitado, geralmente um profissional da área da saúde;
- Sistema de rastreabilidade e registro de produção.
Na ausência dessa autorização, todos os produtos fabricados ficam em situação irregular. Por isso, a Anvisa pode determinar a suspensão geral de todos os cosméticos de determinada empresa, abrangendo fabricação, venda, propaganda e uso, como ocorreu com os itens produzidos pela Treelife Pharmah LTDA.
Como a população pode se proteger ao comprar protetor solar e cosméticos?
Diante de medidas de recolhimento e proibição, muitos consumidores passam a buscar formas de verificar se o protetor solar ou o cosmético que utilizam está regularizado. A checagem prévia das informações do produto e do fabricante ajuda a reduzir riscos de uso de itens irregulares ou falsificados.
Algumas ações simples podem ajudar nesse processo de verificação e na escolha de produtos mais seguros para uso diário.
- Verificar o rótulo: conferir se há informações claras sobre fabricante, CNPJ, lote, data de validade e modo de uso;
- Pesquisar no site da Anvisa: consultar o número de registro de protetores solares e outros produtos que exigem essa etapa;
- Consultar alertas sanitários: acompanhar as notícias e resoluções publicadas pela agência, especialmente em casos de recolhimento;
- Evitar produtos sem procedência: desconfiar de itens vendidos sem nota fiscal, com rotulagem incompleta ou em canais não oficiais.
A fiscalização de protetores solares e cosméticos, como evidenciado na decisão envolvendo o ANTIOX C FPS 58 e os produtos da Treelife Pharmah, mostra como o sistema de vigilância sanitária atua para reduzir riscos à saúde. O cumprimento das normas de registro, autorização de funcionamento e boas práticas de fabricação permanece essencial para que esses produtos cheguem ao mercado dentro dos padrões de segurança exigidos em 2025 e 2026.
